Daniel morreu por degola e mais de uma pessoa carregou o corpo, aponta IML

Andreza Rossini e Francielly Azevedo - CBN Curitiba


Os laudos do Instituto Médico Legal (IML) referente a morte do ex-jogador Daniel Correa de Freitas, de 25 anos, foram concluídos nesta quinta-feira (22).

De acordo com o diretor do IML, Paulino Pastre, ele morreu ao ter o pescoço cortado. “A causa constatada da morte foi a degola parcial – quase completa -, chegou a haver exposição da coluna cervical”, afirmou. “Não podemos afirmar que ele estava vivo [quando o pênis foi cortado], não temos esse elemento preciso. O que podemos dizer é que as duas ações foram muito próximas, em um intervalo de tempo curto”.

Segundo os peritos, quando uma pessoa é degolada os sinais vitais permanecem por cerca de três minutos.

O ex-jogador sofreu várias lesões. “Daniel morreu aos poucos. Ele começou apanhando no quarto [de Cristina e Edison Brittes], ele apanha na calçada e, quando falo  isso é bastante tortura, tanto que ele se afoga no sangue quando é levado para o carro. Depois foi pelo menos mais uma hora até chegar ao local onde ele foi esquartejado e decepado”, disse o delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevisan, ao entregar o inquérito ontem.

Foram finalizados hoje os exames de necropsia, exames toxicológicos, complementares e as análises feitas na casa da família Brittes. “Nós traduzimos o local e a forma do crime. Não nos cabe dar opiniões ou fazer juízo de valor sobre o caso”, disse o Secretário de Segurança Pública, Julio Cesar dos Reis.

Vinte peritos participaram da elaboração dos laudos.

Mais de uma pessoa carregou o corpo 

Os laudos ainda apontam que mais de uma pessoa ajudou a carregar o corpo. “Não tem marcas no local do crime (solo) e no cadáver. Existiu uma pequena marca no dorso, de um pequeno arrastamento. Não é possível precisar quantas pessoas ajudaram, mas pelo menos duas”, afirmou o perito criminal Jerry Gandin. “Possivelmente uma segurando nos pés e outra nas mãos, por cerca de 20 metros”, disse. “Não é possível precisar quantas pessoas atuaram para matar o jogador”.

O delegado acredita que os três homens que acompanhavam Edison no carro ajudaram a carregar o corpo. “Pelo menos um deles ajudou. Quando foi retirado do carro entendo que quem matou, degolou, foi o próprio Edison”, disse Amauri.

De acordo com os laudos, foi encontrado sangue em 7 locais, três deles na casa e quatro no carro. Como o local foi limpo o exame de DNA foi inconclusivo.

A porta do quarto onde Cristiana Brittes dormia foi arrombada. “Não podemos precisar se foi antes ou depois das agressões”, explicou o perito geneticista Marcelo Malaghini.

Inquérito entregue

O delegado  Trevisan, concluiu o inquérito do caso na quarta-feira (22) e entregou ao Ministério Público, que segue com as ações do caso. Sete pessoas foram indiciadas por participar do crime, entre elas, quatro respondem por homicídio qualificado.

Edison Brittes confessou o assassinato. Ele alega que agiu após uma suposta tentativa de estupro de Daniel contra sua esposa, Cristiana Brittes. O delegado nega a possibilidade de violência sexual.

O promotor que assumiu o caso, João Nilton Salles, afirmou que espera apresentar uma denúncia até sexta-feira (23).

Suspeitos indiciados

Os sete suspeitos foram indiciados por diferentes crimes, sendo homicídio qualificado, fraude processual, ocultação de cadáver, lesões graves e coação de testemunhas. As penas somadas ultrapassam 40 anos de reclusão.

  • Edison Brittes, que confessou ter matado Daniel. Vai responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver;
  • Eduardo da Silva, que estava no carro em que Daniel foi levado até SJP. É indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver;
  • Ygor King, também estava no carro em que Daniel foi levado. Vai responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver;
  • David Willian da Silva, namorado de Allana que também estava no carro. É suspeito de homicídio qualificado e ocultação de cadáver;
  • Cristiana Brittes, esposa de Edison. É indiciada por coação de testemunha e fraude processual;
  • Allana Brittes, filha de Edison, vai responder por coação de testemunha e fraude processual;
  • Eduardo Purkote, que teria participado das agressões na casa da família, vai responder por lesões graves.

O caso

Daniel foi encontrado mutilado, na Colônia do Mergulhão, área rural de São José dos Pinhais, no dia 27 de outubro. O ex-jogador foi mutilado e teve o pênis cortado e pendurado em uma árvore.

O crime ocorreu após o aniversário de 18 anos da filha do casal, Cristiana e Edison, Allana Brittes. A festa começou em uma balada de Curitiba, no dia 26 de outubro, e seguiu para casa de Allana, onde começaram as agressões ao ex-jogador.

Edison afirma que ele estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, já declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história, podendo ser indiciados também por coação de testemunhas.

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