Cena de onça-pintada rara no Brasil é registrada no Parque Nacional do Iguaçu

No vídeo, gravado pelo Projeto Onças do Iguaçu, o animal aparece cheirando uma peroba-rosa, árvore utilizada como arranhador

Mirian Villa - 26 de janeiro de 2022, 15:45

Divulgação/Projeto Onças do Iguaçu
Divulgação/Projeto Onças do Iguaçu

Uma cena rara foi registrada no Parque Nacional do Iguaçu neste mês. Uma onça-pintada, que não havia sido registrada antes no Brasil ou Argentina, está em solo paranaense. 

No vídeo, o macho, aparentemente jovem, aparece cheirando uma peroba-rosa, árvore que é utilizada por outras onças-pintadas e pardas como arranhador. Em seguida, ele abre a boca exibindo os dentes e gengiva (veja foto no final da matéria). 

"Isso é chamado de reflexo de flehmen. Através desse comportamento, que expõe um órgão que ele tem na cavidade nasal, as onças fazem uma "vistoria" no local e podem decifrar odores deixados ali por outros animais", explica Yara Barros, coordenadora do projeto. 

A espécie foi identificada como inédita por conta do padrão de manchas, que é uma  impressão digital do animal. O flagra, feito no dia 11 de janeiro, foi divulgado pelo Projeto Onças do Iguaçu, que monitora a espécie ameaçada de extinção. 

"Quando você registra novas onças, que eram desconhecidas, ou filhotes nascendo, é um indicativo que o parque tem os requerimentos necessários para que uma população de onças sobrevivam a longo prazo. Isso deixa a gente muito feliz, com esperança na conservação da espécie nesse Corredor Verde, que abrange Brasil e Argentina", conclui Yara.

Você pode conferir o vídeo da onça-pintada inédita no Parque Nacional do Iguaçu clicando aqui!

De acordo com o WWF-Brasil, em novembro de 2021 restavam menos de 300 onças-pintadas em toda a Mata Atlântica. O Corredor Verde abriga cerca de um terço delas. Segundo especialistas, a fronteira é a região com o habitat mais adequado para a espécie no bioma. 

O censo de onças-pintadas da região de Iguaçu de 2021 indicou um total estimado entre 76 e 106 onças (com média de 90), uma ligeira queda em relação aos dados de 2018, quando a estimativa era de 84 a 125 (com média de 105). 

Entre as ameaças da espécie estão a caça, desmatamentos, redução de seu habitat e atropelamentos. Esse animal é considerado uma espécie indicadora da qualidade da biodiversidade local.