Centro de apoio a desastres do Paraná avalia tragédia em Brumadinho

Redação


Pesquisadores do Centro de Apoio Científico em Desastres (Cenacid) estão no município de Brumadinho-MG, desde segunda-feira (28) para avaliar o acidente envolvendo o rompimento da barragem de rejeitos. O professor da UFPR e líder do grupo, Renato Lima, o professor da Unicamp, Jefferson Picanço, e a geóloga da Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Paraná, Fabiane Acordes, visitaram o depósito de fluxos na manhã desta terça-feira (29).

De acordo com os profissionais do Cenacid, o depósito possui material originado pelo próprio rejeito da barragem de mineração, com alto poder erosivo. O grupo analisa, neste momento, como o fluxo se distribuiu e coleta amostras da lama-rejeito para estudos.

“Estamos fazendo uma avaliação dos mecanismos do fluxo da massa de rejeito, do alcance dela, em que condição ela ocorreu e com que capacidade destrutiva, velocidade e etc”, afirmou Lima.

Para o professor, o entendimento da falha que provocou esse desastre deve auxiliar em possíveis novos casos. “Compreendendo o mecanismos desse desastres podemos imaginar como podemos fazer destrezas para um próximo em uma situação de barragem desse porte. Podemos imaginar construir alguma estrutura de tamanho pequeno e médio ao longo do vale, que na ocorrência de um desastre como esse, vai respeitar esse mecanismo e defender áreas estratégicas do alcance do fluxo de lama”, apontou.
A quarta integrante da equipe, Aline Freitas, diretora do serviço geológico do Rio de Janeiro, acompanha as atividades na base de operações dos órgãos federais e Defesa Civil. Há centros de operação dos órgãos especializados, além de uma central para atendimento da população.O grupo também conversou com moradores afetados. Cerca de 270 pessoas continuam desaparecidas e 65 mortes foram confirmadas.  O relatório de missão, com todas as informações do caso, será registrado no software especializado VICON-desastres, desenvolvido pelo próprio Cenacid.

Ainda segundo Lima, há vários especialistas trabalhando na região. “A área do alcance do fluxo de lama foi bastante amplo e já está em dezenas de quilômetros do rio Paraopeba, boa parte da área está isolada. A maioria das pessoas continuam desaparecidas, existe um sistema de busca bastante intenso em toda a região, os bombeiros estão fazendo um trabalho bem difícil de busca de corpos e existe uma coordenação de organização de organismos do governo federal – na qual estamos incluídos – que faz a avaliação de efeitos e riscos secundários e contribui com a avaliação geral. Existe uma coordenação de assuntos de comunidade, das pessoas que foram atingidas e buscam parentes e uma coordenação geral da crise”, contou.

O Centro de Apoio Científico em Desastres é uma unidade especial do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Nimad) da UFPR. O objetivo do Cenacid é proporcionar apoio científico e técnico à comunidade em situações de emergência, assim como gerar propostas de ações.
Com experiências em desastres em todo o mundo, o coordenador do Cenacid e professor da UFPR, Renato Lima, integra a equipe UNDAC (Coordenação e Avaliação de Desastres da ONU) e atua como consultor da ONU para desastres. O docente já integrou a equipe de coordenação da resposta internacional em mais de dez grandes desastres mundiais, como terremotos, deslizamentos, furacões, tsunamis e inundações.
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