Venezuelanos começam a reconstruir suas vidas em Curitiba

Cristina Seciuk - CBN Curitiba


Cerca de 3.500 quilômetros. É essa a distância que separa os venezuelanos Inetti, Adriana, José Luís e Yordalys do país de origem. Eles são quatro dos 91 venezuelanos que deixaram Roraima em um avião da FAB e desembarcaram na capital paranaense no dia 25 de setembro. Deste então, ganharam novo endereço: a Casa de Acolhida Dom Oscar Romero, na Vila Fanny.

Coordenado pela Cáritas, entidade de promoção social ligada à CNBB, o local é abrigo e ponto de partida para o grupo. Ali, recebem apoio para se estabelecer no país, além de ferramentas para ajudá-los nesse processo, como aulas de português, que vão se somar às capacidades de cada um, diz a coordenadora dos projetos com o tema de imigração da Cáritas, Márcia Ponce.

“São pessoas que têm história, tiveram que deixar para trás a família, seus sonhos. A gente tem recebido pessoas com muito potencial, pessoas que podem contribuir muito com nosso país”, explica. “Assim como temos muitos brasileiros vivendo em outros países, que a gente também possa acolher e acolher com dignidade”.

Até agora, 24 dos imigrantes encontraram oportunidades em outros locais do estado e já deixaram o abrigo. É esse caminho que desejam os que permanecem e dentre todas as histórias que habitam a Casa de Acolhida, a de Yordalys Meror surge como exemplo da esperada reconstrução.

Depois de longos três anos de Brasil, a venezuelana está enfim reunida com a mãe, que trouxe consigo a pequena Safira. Com a filha nos braços, ela faz planos para o futuro. “Quero desenvolver e dar o melhor, nem tanto para mim, mas para minha filha, minha mãe”, afirma.

Para participar do programa de interiorização, todos os imigrantes vindos da Venezuela precisam, primeiro, concordar com a mudança. Na sequência, passam por exames de saúde, vacinação e a devida regularização junto às autoridades brasileiras, inclusive com CPF e carteira de trabalho.

O projeto de acolhimento, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações, prevê que esses migrantes que chegaram em setembro permaneçam no abrigo de Curitiba por um período máximo de três meses, ou seja, até o fim de dezembro, o que não deve ser necessário na avaliação da coordenadora. E com a saída dos primeiros venezuelanos da Casa de Acolhida, o espaço não deve demorar a receber novos grupos.

“É um movimento que o governo federal, através da Casa Civil, tem feito. Que todos os estados e municípios que estão acolhendo possam fazer isso de forma gradativa e contínua, até para contribuir para uma saída maior daquela população que está na fronteira”, explica.

Já existe perspectiva de que uma nova etapa da interiorização para os próximos dias. Segundo informação da 5ª Região Militar e da 5ª Divisão do Exército, responsável por Paraná e Santa Catarina, pode haver a chegada de mais migrantes aos dois estados ainda em outubro, o desembarque deve ocorrer no dia 24, próxima quarta-feira.

Até o momento o Paraná recebeu 150 venezuelanos, que inicialmente foram acolhidos em Goioerê, na região noroeste, e em Curitiba.

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