40 estrangeiros em trabalho escravo são encontrados no Paraná

Lorena Pelanda e Assessoria

Quarenta estrangeiros em regime de trabalho escravo foram resgatados no Paraná, de acordo com uma pesquisa da Universidade Positivo, em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT).

São 24 trabalhadores de Bangladesh e 16 do Paraguai. Além disso, 11 pessoas têm menos de 18 anos.

O levantamento começou a ser feito no último semestre de 2017.

Segundo o coordenador da pesquisa e coordenador-geral dos cursos de Pós-Graduação em Direito, professor Eduardo Faria Silva, a pesquisa é inédita, já que foi realizado um cruzamento de dados que, até então, nunca tinha sido feito. “Tivemos acesso às ações judicializadas entre 2008 e 2015 no Paraná que, ao todo, envolvem 643 trabalhadores e somaram mais de 15 mil páginas, para analisar a realidade do trabalho escravo”, explica. Segundo o professor, a segunda fase da pesquisa vai envolver a análise dos processos de todo o país. “Será uma pesquisa de cinco anos, já que é um trabalho bem mais complexo e abrangente”, conta.


De acordo com o procurador do Trabalho (MPT/PE) e coordenador Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do MPT, Ulisses Dias Carvalho, mesmo após 130 anos da abolição da escravatura no Brasil, as práticas de trabalho escravo ainda são mais comuns e estão mais próximas do que imaginamos. “O setor rural responde pela maior parte dos processos, mas o trabalho com condições análogas à escravidão também está presente nas cidades, como no setor de construção civil, por exemplo”, explica.

Dos processos analisados, 76,5% são de atividades desenvolvidas na área rural, frente a 23,5% na área urbana.

Para o diretor da Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da Universidade Positivo, Roberto Di Benedetto, o levantamento é fundamental, já que pode ser fonte para outras pesquisas. “Temos um banco de dados riquíssimo, que vai muito além do primeiro resultado e permite, por exemplo, olharmos para o fluxo migratório, questões de gênero, família e escolaridade”, esclarece. De acordo com Faria, o resultado das pesquisas vai auxiliar o MPT a organizar as operações de resgate, além de fornecer informações mais concretas. “Além disso, aproxima a universidade de uma política pública importante, como a da erradicação do trabalho escravo no Brasil”, finaliza.

ESCRAVIDÃO NO PARANÁ

Só no ano passado, de acordo com a Procuradoria-geral da República, foram abertos quatro novos processos na Justiça Federal, com acusação de trabalho análogo à escravidão no Paraná.

No Brasil foram abertas 73 ações em 2017. O Paraná ficou em 7º lugar na lista de estados com maior número de casos.

Os estados com maior número de ações são Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os casos paranaenses ocorreram em Londrina, Guaíra, Pato Branco e Ponta Grossa.

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Lorena Pelanda
Coordenadora de jornalismo da rádio BandNews FM Curitiba
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