Policiais são presos após cobrar R$ 16 mil para não plantar falso flagrante

Fernando Garcel e Vinicius Cordeiro


Depois de uma fuga de três quilômetros, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu quatro policiais militares em flagrante em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, na noite desta quarta-feira (6). Eles são acusados de cobrar R$ 16 mil para não “plantar” um falso flagrante com drogas e munições na casa de um morador. Foram apreendidos três revólveres de calibre .38, munições, uma porção de entorpecentes e uma “mixa”, ferramenta usada para abrir fechaduras.

Segundo o Gaeco, a tentativa de extorsão aconteceu após uma abordagem na tarde de ontem. Os policiais revistaram o carro da vítima, não encontraram nada e exigiram o pagamento para não colocar drogas e munições na casa. O morador combinou que entregaria o dinheiro horas depois.

A vítima buscou ajuda do Ministério Público do Paraná, relatando o fato à 1ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais, que acionou as equipes do Gaeco.

O Gaeco foi acionado e ficou de vigilância durante o encontro entre o cidadão e os policiais, mas só agiu após a saída do popular. No momento da abordagem, os policiais fugiram e passaram a ser perseguidos de carro.

Entretanto, o procurador de Justiça e coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, detalhou que o dinheiro não foi recuperado. “Pela lógica dos acontecimentos, ele tenha sido jogado pelos policiais porque a vítima assegura que tinha deixado mais de R$ 1.000,00 embaixo do tapete do carro. Inclusive, a equipe do Gaeco verificou que um dos policiais chegou a se agachar no veículo para pegar alguma coisa”, declarou.

O auto de prisão em flagrante foi lavrado na presença de oficial do 17º Batalhão da Polícia Militar, onde são lotados os quatro policiais.

A Polícia Militar encaminhou uma nota por meio da assessoria de imprensa e explicou que participou efetivamente das prisões e que, caso seja comprovada alguma irregularidade, os policiais responderão. “Os soldados estão à disposição do GAECO e das investigações e a PM vai colaborar para o esclarecimento dos fatos.A Polícia Militar lembra que não compactua com desvios de conduta de seus integrantes. Se comprovada alguma irregularidade as medidas de expurgo e saneamento serão tomadas pela Corregedoria Geral da PM no rigor da lei e os envolvidos responsabilizadas administrativa e criminalmente”.

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