Cidades paranaenses entram em alerta para possível epidemia de zika

Pela primeira vez, cidades do Paraná declararam alerta para uma possível epidemia de zika. Colorado, no norte do estado,..

Mariana Ohde - 27 de abril de 2016, 14:05

Pela primeira vez, cidades do Paraná declararam alerta para uma possível epidemia de zika. Colorado, no norte do estado, e Nova Prata do Iguaçu, região sudoeste, apresentaram 32 e 18 ocorrências, respectivamente. Os números representam uma taxa superior a 100 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. O índice da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que exista uma epidemia é de 300 casos para cada 100 mil pessoas.

O número de casos de zika em todo o Paraná aumentou, passando de 248 para 263. De acordo com o boletim, 169 são autóctones (contraídos dentro do estado). A chefe do Centro de Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Ivana Belmonte, explica que o trabalho de monitoramento foi reforçado. "A epidemia de zika seria semelhante à epidemia de dengue porque as ações preventivas são as mesmas. O vetor que transmite a zika é o mesmo que transmite a dengue e a chikungunya. O que é feito em todo o estado, e não apenas nessas duas cidades, é um trabalho intensivo com relação ao cuidado com as gestantes por conta das complicações neurológicas do zika vírus e os problemas relacionados aos problemas congênitos", explica.

O boletim divulgado nesta terça-feira (26) pela Sesa mostra que 25 gestantes foram diagnosticadas com zika desde agosto de 2015 no estado. A maioria dos casos é de Colorado, que registra 12 grávidas contaminadas pelo vírus. Maringá tem quatro casos de gestantes que tiveram zika. De acordo com a Secretaria, duas mães sofreram abortos espontâneos durante a gestação. Outros três bebês já nasceram e nenhuma má-formação foi constatada.

Dengue

Com relação à dengue, mais três municípios entraram na situação de epidemia – Maringá, Ivatuba e Mandaguaçu, na região noroeste, agora estão na lista, que totaliza 59 municípios. Apesar da diminuição das temperaturas no outono em algumas regiões, a proliferação segue alta em outras áreas do estado. "Essa mudança de temperatura acontece mais na região metropolitana de Curitiba e no sul do Paraná. O norte, oeste e o litoral não têm temperaturas tão frias quanto essas outras regiões. Então isso não afeta tanto a proliferação do mosquito . É importante observar que é preciso continuar com as alções de remoção de criadouros, porque mesmo que haja decréscimo no inverno, existe a possibilidade de a gente entrar em uma nova epidemia tão logo se inicie um período de chuvas e calor. O ovo do mosquito continua viável por até um ano e meio", explica.

Das 399 cidades paranaenses, 301 tem pacientes contaminados pela dengue, o que representa mais de 75% do total. Ainda de acordo com a Sesa, 40 mortes pela doença já foram registradas no Paraná.

Os casos de chikungunya passaram de 50, na semana passada, para 56. Destes, apenas cinco são autóctones.