Colapso por covid-19 em Curitiba poderia ter sido evitado, diz estudo da UFPR

Vinicius Cordeiro

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Uma pesquisa da UFPR (Universidade Federal do Paraná) aponta que o colapso do SUS (Sistema Único de Saúde) em Curitiba acarretado pela alta dos casos de covid-19 poderia ter sido evitado. O estudo é baseado no monitoramento das políticas públicas de enfrentamento ao novo coronavírus da capital paranaense e da região metropolitana. Procurada pelo Paraná Portal, a prefeitura de Curitiba classificou o estudo como “análise política e opinativa” e diz que nunca houve colapso na capital paranaense.

De acordo com o relatório da área de Sociologia, produzido sob coordenação da professora Maria Tarcisa Silva Bega, os governos municipais e estadual tomaram atitudes apenas para administrar os impactos da covid-19.

“Comprovamos que o lockdown programado para toda a RMC seria a única forma de achatar a curva e evitar o colapso. Ainda em agosto o SUS demonstrava capacidade de atendimento. Mas apontamos que em agosto, se houvesse uma política mais dura de isolamento social o colapso de hoje teria sido evitado”, explica ela.

Conforme os dados, Curitiba passou de 100 mil casos e duas mil mortes por covid-19 nesta semana. O último boletim aponta que a taxa de ocupação das UTIs é 87%.

GOVERNO AGIU PARA ADMINISTRAR MORTES E NÃO EVITÁ-LAS, DIZ ESTUDO DA UFPR

O estudo da UFPR também afirma que o poder público procurou evitar que o vírus circulasse e infectasse as pessoas, mas optou abertamente por manter o contágio sob níveis considerados toleráveis. Além disso, o relatório aponta que não houve um esforço para viabilizar o isolamento social como aconteceu para garantir o funcionamento do comércio durante a pandemia.

Na avaliação do poder público a estratégia seguida foi bem sucedida, como o Prefeito de Curitiba Rafael Greca fez questão de frisar, ‘não faltou lugar pra ninguém morrer’, admitindo que estiveram muito mais preocupados em administrar as mortes do que em evitá-las“, diz trecho do estudo.

Segundo a pesquisa, o gerenciamento da pandemia priorizou as atividades econômicas em detrimento da saúde da população. Na visão dos pesquisadores, isso pode ser visto como uma política alinhada ao posicionamento do presidente Jair Bolsonaro, que atualmente se diz contra a obrigatoriedade da vacinação.

Para completar, o estudo afirma que a única ação efetiva tomado pelas autoridades foi a suspensão das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas.

PREFEITURA DE CURITIBA CLASSIFICA ESTUDO COMO ANÁLISE OPINATIVA

A prefeitura de Curitiba classificou a pesquisa da UFPR como uma análise política e opinativa sobre a pandemia do coronavírus e ressaltou que o sistema de Saúde nunca entrou em colapso devido às ações rápidas tomadas durante os momentos críticos.

Contudo, a administração aproveitou para destacar números da capital paranaense. Um deles é a taxa de letalidade: 2% dos casos vão a óbito, índice abaixo da média nacional (2,6%) e mundial (2,2%).

Confira a íntegra do posicionamento da prefeitura de Curitiba:

A Secretaria Municipal da Saúde não vai comentar uma pesquisa baseada em análise política e opinativa. Lembramos que, entre as capitais, Curitiba tem a menor taxa de letalidade causada pela covid-19, 2%. A média nacional é 2,6% e mundial, 2,2%. Outra taxa abaixo da média nacional é a de pessoas com covid-19 que necessitam de internamento em Curitiba, 8%.

Essa redução de internamento é resultado da adoção do protocolo da Sociedade Brasileira de Infectologia no tratamento da hipóxia silenciosa. Diariamente os profissionais da saúde de Curitiba acompanham a oximetria de pessoas do grupo de risco para a doença. Milhares de pacientes são monitorados em suas residências e encaminhados para as UPAs quando o nível de oxigênio no sangue cai abaixo do limite. O trabalho permite tratar com antecedência e em muitos casos, evita que a doença evolua.

Reforçamos ainda que o sistema de saúde de Curitiba está fortemente pressionado como praticamente em todas as capitais, no entanto, nesses dez meses de pandemia, nunca entrou em colapso devido à resposta rápida da Prefeitura de Curitiba.

Desde janeiro, antes dos primeiros casos de covid-19 na cidade, foi colocado em prática o Plano de Contingência para enfrentamento da pandemia.

De lá para cá foram 906 novos leitos SUS exclusivos para covid-19 abertos, sendo 374 em UTIs. Todos estes leitos estão dentro de estruturas hospitalares devidamente preparadas. Três hospitais exclusivos para pacientes de covid-19 foram abertos na cidade, que não precisou improvisar leitos em hospital de campanha.

Curitiba foi ainda a primeira capital brasileira a colocar em funcionamento uma central de teleatendimento e de consulta a respeito do novo coronavírus. Diariamente é divulgado o boletim com a atualização dos casos na cidade.

Os dados da pandemia na cidade são monitorados diariamente e, semanalmente, analisado pelo Comitê de Técnica e Ética Médica, que define as estratégias a serem adotadas.

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