Rebelião começou por disputa de facções, diz governador

Narley Resende

O Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) confirmou na tarde desta sexta-feira (10) a segunda morte na rebelião da Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC), Oeste do Paraná. Desde o meio da tarde de quinta-feira (9), presos integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) mantêm detentos de outra facção e dois agentes penitenciários e reféns na unidade.

O governador Beto Richa (PSDB) afirma que a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) tenta “preservar vidas”. “Uma guerra de facções, infelizmente o preso que foi decapitado, segundo o secretário [de Segurança, Wagner Mesquita], sua cabeça foi apresentada como troféu por uma facção adversária, PCC e outras facções, mas, enfim, a Secretaria está lá tentando resolver essa situação da melhor maneira possível. O mais importante neste momento é preservar vidas, que não haja confronto e acima de tudo a vida dos reféns seja preservada”, disse o governador na tarde desta sexta.

Um terceiro agente, que foi espancado e esfaqueado, foi resgatado por agentes do Serviço de Operações Especiais (SOE) ainda na primeira hora da rebelião.

Os presos subiram no telhado da penitenciária e exibem uma bandeira do PCC. Parte das instalações da recém reformada penitenciária foi destruída pelos presos rebelados. Um incêndio também consumiu ao menos duas galerias. Os danos ainda não foram totalmente contabilizados.


De acordo com os agentes penitenciários, a rebelião já estava anunciada. O preso que foi decapitado, que seria líder da facção “Máfia Paranaense”, já estava jurado de morte pelo PCC. O Ministério Público já havia ouvido um preso que denunciou a situação.

De acordo com o Depen, a rebelião começou por uma disputa entre o PCC, grupo criminoso que predomina no Paraná, e a facção Máfia Paranaense.

Thiago Gomes de Souza, suposto líder da facção Máfia Paranaense
Thiago Gomes de Souza, suposto líder da facção Máfia Paranaense

A primeira morte confirmada, ainda na quinta-feira (9), foi do preso que seria líder da Máfia Paranaense. Thiago Gomes de Souza foi decapitado por membros do PCC.

O Depen determinou o fechamento de todas as unidades prisionais do Paraná para evitar que facções sigam determinações externas e comecem novos motins.

Nesta manhã, pelo menos 600 presos seguiam rebelados. Outros 300 foram mantidos reféns ou isolados em alas do presídio. A penitenciária abriga, hoje, cerca de 900 presos.

O número total de feridos ainda não é confirmado, mas há pelo menos uma pessoa em estado grave e dois mortos.

Os dois funcionários do presídio, um agente de cadeia, com contrato temporário, e um agente penitenciário do quadro permanente, permanecem em poder dos presos.

O agente que foi liberado ficou ferido, mas está fora de risco, segundo Petruska Niclevisk Sviercoski, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen). “Ele foi resgatado pelo SOE logo no início, mas estava bastante machucado. Foi atendido e medicado e está fora de perigo”, afirma.

O Sindicato informou que, dos três profissionais que haviam sido feitos reféns, dois são agentes de cadeia pública – que são contratados pelo PSS (Processo Seletivo Simplificado).

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Rebeliões

Em 2014, na mesma cadeia, uma rebelião que durou 40 horas deixou cinco presos mortos e 27 feridos, em uma dos casos mais violentos em presídios da história do Paraná. Em 2016, uma nova rebelião deixou 12 presos feridos.

Depois da destruição das duas rebeliões, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, o presídio de Cascavel foi reformado e entregue em novembro de 2016. Foram investidos pouco mais de R$ 1 milhão na obra.

Para a presidente do sindicato dos agentes, o custo da rebelião é sempre maior do que o dinheiro que poderia ter sido investido para evitar o problema. “Já destruíram tudo. Não quiseram gastar alguns mil em mais segurança, agora vão ter que gastar de novo milhões para arrumar a cadeia”, reclama Petruska.

Familiares

Familiares de detentos, que reivindicam informações sobre a situação dos presos, dormiram ao redor do presídio. Algumas pessoas, sem cobertores, ficaram em um matagal ao lado do presídio. Ontem à noite, grupos de familiares bloquearam por duas horas a BR-277 para protestar contra a falta de informações.

Segundo o Coronel Lee, do 5º Comando Regional da Polícia Militar, a situação ficou controlada durante a madrugada, mas apesar das negociações, a PM pode invadir o local para acabar com a rebelião após os presos não cumprirem o acordo feito com os policiais.

“Eles querem o famoso ‘bonde’, querem transferência. A polícia não trabalha com transferências. Não é vinculada a entrega da cadeia com essa situação. A gente quer conversar, estamos conversando. Estamos em bons termos, mas eles sabem do que somos capazes também”, afirma.

Durante a madrugada 150 detentos foram transferidos da PEC, sendo que 100 foram levados até a Penitenciária Industrial de Cascavel (PIC) e 50 para a cadeia pública da 15ª Subdivisão Policial.

Carta 

Uma carta com “Um Pedido de Socorro”, datada do 5 de novembro deste ano e escrita a mão por detento foi entregue ao juiz Paulo Damas, da Vara de Execuções Penais. A carta aponta alguns dos possíveis motivos que deflagraram a rebelião da PEC.

 

 

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