Com empresários, Beto Preto evita questões políticas e diz que saída é a vacina

Redação

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O secretário estadual da Saúde , Beto Preto, teve uma reunião com empresários paranaenses para destacar o momento crítico vivido no estado devido ao avanço da covid-19. Ontem (16) o Paraná bateu recorde de mortes registradas por covid-19 em 24 horas, com 310 óbitos.

Na visão apresentada por ele, a saída do colapso do sistema de Saúde é a vacina. Apesar de evitar discussões sobre a política do país, Beto Preto alertou sobre a falta de medicamentos.

“Não quero dizer ‘ah, mas o presidente é negacionista’ ou ‘a esquerda ataca o presidente’. Esqueçam isso. A gente tem que vacinar, temos que abrir um leito a mais, comprar o bloqueador neuromuscular. Isso é importante nesse momento”, afirmou o secretário.

O Cemepar (Centro de Medicamentos do Paraná) alertou sobre a falta de medicamentos usados no tratamento de pacientes com covid. A expectativa é que os bloqueadores neuromusculares, que são os relaxantes usados para auxiliar na ventilação mecânica, acabem nesta semana. Já sedativos e analgésicos, usados na intubação, podem acabar na semana que vem. Para isso, o governo do Paraná corre atrás de fornecedores, que alegam dificuldades com os produtos.

Na reunião com os empresários, Beto Preto destacou que a saída é a compra de vacinas contra covid – e que é importante a pressão sobre o governo federal.

“Independente da ideia, do posicionamento, eu acho importante que todos possamos cobrar. Não tem mágica, precisamos comprar mais vacinas. Apesar da gente estar com os profissionais no limite, eles ainda estão na trincheira. Não abandonaram. Se o movimento for firme, se a gente cumprir 4 milhões de vacinas no Paraná, mudou o cenário“, completou ele.

SETOR ECONÔMICO ESTÁ ENFRAQUECIDO PELA DEMORA DA VACINA, DIZ BETO PRETO

Beto Preto ressaltou que o momento atual é o pior cenário da história do Paraná. São 1.357 pessoas aguardando por leito, sendo que 716 precisam de UTI.

O secretário apontou que o estado conta com 8 mil leitos gerais, sendo que 5 mil são destinados somente para covid.

Além disso, também reforçou a tese de que a variante amazônica do coronavírus, chamada de P1, está em circulação comunitária, o que dificulta a reação do sistema hospitalar caso a proliferação não seja contida.

Vale lembrar que o governo do Paraná decretou a prorrogação das medidas restritivas até o dia 1 de abril. A gestão do governador Ratinho Junior (PSD) determina toque de recolher das 20h às 5h, período em que também se proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas.

Enquanto isso, diversos prefeitos, como em Curitiba, Ponta Grossa e no litoral do Paraná, adotaram lockdown nesta semana para evitar o colapso total. O governo estadual chegou a fechar as atividades não essenciais e flexibilizou as restrições após pressão do setor comercial.

Diante desse cenário, Beto Preto ressaltou que a vacina é a chave para sair do momento crítico.

“A atividade econômica está combalida porque estamos demorando para comprar vacina. Temos 1.850 pontos, capacidade de fazer 200 mil doses por dia, ou um pouco menos. A capacidade do Paraná vacinar é rápida, se tivermos a vacina”, finaliza.

Beto Preto e Ratinho Junior participam, nesta quarta-feira, de uma reunião com os governadores e secretários de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul em Florianópolis.

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