Com greve dos auditores, dois mil caminhões aguardam no Porto Seco de Foz do Iguaçu

Mariana Ohde


Cerca de dois mil caminhões estão parados no Porto Seco de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, esperando por atendimento. Com a paralisação dos auditores da Receita Federal, que completou dois meses, as filas no maior porto seco da América Latina são constantes.

> Auditores da Receita cruzam os braços dois dias por semana

Nesta quinta-feira (8), a categoria deve liberar cargas vivas, perigosas, de produtos perecíveis, além de sementes e fertilizantes para o Paraguai. Em Cidade do Leste (Paraguai) e em Porto Iguaçu (Argentina), são quase 700 caminhoneiros aguardando. Em Foz, são outros 700 esperando por uma vaga no porto. A estação aduaneira também está lotada com, pelo menos, 600 caminhões já do lado de dentro.

Desde 11 de julho, os auditores iniciaram uma operação padrão para exigir que o Governo Federal cumpra o acordo feito em março de aumento salarial de 21% em quatro anos. O projeto de lei 5864/16, que reajusta os salários dos trabalhadores, ainda não foi votado pelo Congresso Nacional.

Segundo a Receita, a mobilização coincidiu com o aumento da demanda no porto seco, o que contribui para formar as filas. “O Paraguai começou a exportar por esses dias uma safra de milho, ao mesmo tempo em que outra safra está sendo plantada, então têm entrado muitos grãos e saído fertilizantes”, explica o auditor André Gontijo. Além disso, segundo ele, o porto seco sofre com o espaço limitado.

A prioridade, nestes casos, é liberar cargas vivas, como animais, e de produtos perecíveis ou perigosos. Nesta sexta-feira, o Sindifisco Nacional, que representa a categoria dos auditores, fará uma assembleia para definir o futuro da paralisação, mas ela deve continuar. “Esta questão é debatida desde março e não vemos esforço das autoridades para resolver. Estamos pressionando para que a aprovação dessa PL não fique para o ano que vem”, explica o auditor Alfonso Burg, presidente da delegacia sindical do Sindifisco em Foz.

Além da questão salarial, segundo ele, o projeto de lei também regula distinções entre as carreiras de auditor e de analista tributário, além de garantir outros direitos à categoria.

Com informações de Rafael Neves, do Metro Jornal Curitiba

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal