Combate ao Fumo: uma hora de narguilé equivale a 100 cigarros

Redação


Criado em 1986, o Dia Nacional de Combate ao Fumo é celebrado nesta quinta-feira (29) com o objetivo de conscientizar a população sobre o tema.

Neste ano, um dos principais motes da campanha é chamar a atenção dos jovens sobre o uso do narguilé. Segundo estudos, uma hora de narguilé vale pelo equivalente a fumar 100 cigarros.

“Trata-se de um número chancelado pela OMS (Organização Mundial de Saúde)”, explica Guilherme Stelko Pereira, oncologista do COP (Centro de Oncologia do Paraná).

“Uma sessão de narguilé, com duração entre 20 e 80 minutos, pode corresponder à exposição aos componentes tóxicos presentes na fumaça de 100 a 200 cigarros. Mais que isso: o uso compartilhado do narguilé com outros usuários pode expor o fumante a riscos de doenças como herpes, hepatites virais e tuberculose”.

Considerado a principal causa de morte evitável pela OMS, o tabagismo é responsável pelo desenvolvimento de aproximadamente 50 doenças: 4,9 milhões pessoas – ou mais de 10 mil por dia – morrem todos os anos em decorrência do cigarro, que contém cerca de 4.720 substâncias tóxicas, das quais pelo menos 70 são cancerígenas.

“Falando apenas de Brasil, cerca de 157 mil pessoas morram precocemente devido ao cigarro”, lamenta Stelko.

CÂNCER

Outra preocupação é ainda mais séria. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), para o biênio 2018/2019, estima-se que, só no Brasil, 1,2 milhão de novos casos de câncer de pulmão surjam no período. E há outros tumores – além do câncer de pulmão – que são decorrentes do tabagismo, seja ele ativo ou passivo (viver próximo a fumantes).

“O câncer de bexiga – que não é comumente lembrado – é muito relacionado ao tabagismo”, afirma Stelko. “Outros tumores – como o câncer na região da boca e o de esôfago – tiveram seus índices reduzidos, uma vez que o tabagismo, em nível mundial, tem diminuído. Mas as campanhas têm sido essenciais para isso”.

COMO PARAR

No Paraná, é possível ter acesso gratuito ao tratamento para parar de fumar por meio do Programa do Tabagismo, disponível em 763 estabelecimentos de saúde nas 22 Regionais de Saúde. O programa segue critérios do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e é desenvolvido por equipes multiprofissionais de saúde. Pode haver o indicativo de medicamentos, que estão disponíveis na rede, desde que sejam prescritos por médicos atuantes no programa.

Em Curitiba, os Grupos de Controle do Tabagismo, projeto oferecido pela prefeitura de Curitiba, está disponível nas 110 unidades de saúde da cidade. Os pacientes também são atendidos por equipes multidisciplinares e participam de encontros periódicos.

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