Contra a Reforma da Previdência, Polícia Civil pode paralisar serviços na quinta-feira

Fernando Garcel


A Polícia Civil do Paraná pode voltar a paralisar os serviços a partir de quinta-feira (15). Em comunicado oficial, a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) e o Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), informam que uma nova reunião com o Ministro de Justiça, Alexandre de Morais, está marcada para quarta-feira (14) e caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas uma paralisação de 24h deve iniciar a partir das 8h de quinta-feira.

Desta vez, além das reivindicações que já levaram a categoria a cruzar os braços, está a proposta do governo federal para Reforma Previdenciária. A categoria requer o mesmo tratamento destinado para servidores das Forças Armadas, Polícia Militar e Bombeiros que ficam fora das novas regras para aposentadoria elaboradas pelo governo.

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“Se já não bastassem as dificuldades inerentes ao cargo, pela falta de reconhecimento do Estado patrão, pela falta de efetivo humano, falta de cursos de aperfeiçoamento, falta de equipamentos de boa qualidade, pela remuneração incompatível com a peculiaridade de nossas atribuições e pela falta de esperança de um futuro melhor, agora somos surpreendidos por uma conta pela qual não temos como pagar. a Reforma da Previdência”, diz o comunicado.

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De acordo com Jânio Bosco Gandra, presidente da Cobrapol, a reforma previdenciária que eleva para 65 anos a idade mínima para aposentadoria do policial desconsidera o fato de a expectativa de vida do brasileiro ter subido nos últimos anos, superando 75 anos, enquanto a expectativa de vida do policial é de 66 anos, significativamente mais baixa. “A Cobrapol esta atenta para que o que for nocivo aos policiais civis do Brasil, para que possa ser enfrentado com qualidade e posições robustas, baseadas principalmente com estudos científicos e argumentos técnicos que possam resguardar a atual condição de aposentadoria, haja vista, que com a polícia envelhecida o crime será fortalecido, dessa forma, é imperioso para o combate à criminalidade que os policiais civis sejam excepcionalizados dessa nefasta reforma”, diz o presidente do Sinclapol, André Gutierrez.

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Reivindicações dos policiais civis

Além do reajuste salarial, a categoria protesta pelo fornecimento de novos coletes à prova de balas, o aumento de efetivo policial e o fim da dupla função com o cuidado com à custódia dos presos que estão nas delegacias. De acordo com o presidente da Sinclapol, André Luiz Gutierrez, muitos policiais exercem dupla função e chegam a trabalhar além da carga horária prevista, sem receber hora extra. Segundo ele, cerca de 4 mil agentes trabalham nas 500 delegacias do Paraná, algumas já desativadas, mas o ideal seria que o efetivo fosse, pelo menos, de 8 mil servidores.

“Cada delegacia deveria ter quatro equipes, sendo um delegado, um escrivão e dois investigadores, no mínimo, por equipe. Então seria necessário dois mil delegados, dois mil escrivães e oito mil investigadores. Nós não temos isso nem de perto”, diz Gutierrez. Em agosto, a categoria fez umaparalisação simbólica para reivindicar melhores condições de trabalho e doaram sangue em todo o Paraná.

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