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Contrários às ocupações, movimentos questionam falta de diálogo e marcam manifestação

Com informações de Tabata ViapianaCom o número crescente de escolas e universidades ocupadas no Paraná, movimentos socia..

Fernando Garcel - 16 de outubro de 2016, 12:10

Com informações de Tabata Viapiana

Com o número crescente de escolas e universidades ocupadas no Paraná, movimentos sociais ligados aos que pediram o impeachment de Dilma Rousseff reuniram uma coletiva de imprensa em Curitiba na tarde de sábado (15) para questionar a falta de diálogo com os estudantes e marcam uma manifestação para debater o tema.

De acordo com alunos e professores que integram os grupos "Curitiba Contra a Corrupção", "Patriotas" e "Acampamento Praça da Justiça", não houve debate prévio sobre as manifestações contra a reforma do Ensino Médio.

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Mapa interativo das ocupações no Paraná

Para a estudante Laura Albertone, que cursa o primeiro ano do Ensino Médio no Colégio Estadual do Paraná, a maneira como a ocupação da maior escola pública do Estado foi concretizada é questionável. "Não houve discussão e nem honestidade nessa ocupação. As pessoas fizeram o que queriam, ocuparam e tiraram o direito de outras pessoas estudarem. Não houve plebiscito, nem nada", afirma.

Para o universitário Patrick Ignaszevski, as ocupações envolvem outros setores, além de estudantes. Segundo ele, as ocupações são feitas por pessoas ligadas a partidos políticos. Ele também destaca que os movimentos contrários às ocupações defendem as discussões envolvendo a reforma do Ensino Médio, apresentada pelo governo federal. "Nós queremos debater, mas acreditamos que 'invadindo' escola não é solução", diz.

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Procurada por alunos que querem a retomada das aulas, a professora Aline Mendes, que dá aulas de química no Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto, em Curitiba, afirma que os alunos contrários não tiveram voz na discussão. "A maioria citou pra nós que durante o debate que foi aberto na terça-feira (11) eles não conseguiram falar. Eles não tinham voz. Eles querem aula, eles querem conteúdo, eles querem terminar o ano letivo", conta.

Durante a coletiva, os líderes dos movimentos afirmaram que devem encaminhar uma representação contra a APP-Sindicato, que representa os professores do estado, ao Ministério Público por considerar que a entidade estaria incitando as ocupações no Paraná.

Os movimentos ainda afirmaram que devem encaminhar uma representação contra a APP-Sindicato ao Ministério Público por considerar que o sindicato que representa os professores da Rede Estadual de Ensino estaria incitando as ocupações.

Professores da rede estadual protestam em frente à casa do líder do Governo

O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, nega as acusações. "A APP não está organizando ou executando o movimento. Nós temos muitos dirigentes que são professores dos alunos e que tem diálogo com pais e mães e que estão apoiando. Nós temos reconhecimento da legitimidade desse processo. A gente repudia essas declarações que tem um objetivo muito claro de reforçar uma linha, também utilizada pelo Governo do Estado, de colocar a população contra o sindicato", afirma Hermes.

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De acordo com William Rocha, um dos líderes do movimento, uma manifestação está marcada para o próximo domingo (23), na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, para questionar as ocupações e cobrar um posicionamento do governo do Paraná.