Hospital investiga sete casos suspeitos de reinfecção por coronavírus no Paraná

Vinicius Cordeiro

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O Hospital Municipal de Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná, investiga sete possíveis casos de reinfecção do novo coronavírus. Um estudo para a confirmação da hipótese está sendo desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana.

O médico e diretor do hospital, Fábio Oliveira Marques, relata que há três possibilidades levantadas: sequela, reativação ou reinfecção. Segundo ele, todos os sete pacientes foram diagnosticados com covid-19, mas se recuperaram da doença. Depois de um tempo, voltaram a apresentar sintomas e tiveram nova confirmação da doença, sendo que alguns chegaram a ter piora significativa no estado de saúde dos contaminados.

“Tivemos caso de paciente que testou positivo no final de junho com sintomas leves. Aí ficou assintomática após 10 dias e, aparentemente curada, voltou às atividades normais, com exercícios físicos, e voltou a ter sintomas após um mês e meio, com quadro de dor garganta e cabeça. Na semana seguinte teve falta de ar e precisou internar com alterações na tomografia. A gente não acredita que seja sequela porque ficou um tempo grande assintomático”, conta ao Paraná Portal.

Para comprovar a tese de reinfecção, é preciso fazer o sequenciamento genético, ou seja, comparar os exames PCRs. Caso o material genético for igual, caracteriza-se a reativação da infecção. Já se houver diferenças, é comprava a reinfecção. Contudo, o hospital ainda não tem a infraestrutura necessária para o processo. Por isso a instituição corre para obter empréstimos de aparelhos e adquirir os insumos necessários. A expectativa é que tudo esteja pelo menos encaminhado ao final do mês.

Além disso, o Hospital Municipal de Foz do Iguaçu também planeja implantar um ambulatório para fazer o acompanhamento desses pacientes com intuito de prevenir e monitorar possíveis complicações ou sequelas da infecção. “A gente vai ter espaço com oito salas para fazer atendimento com pelo menos quatro profissionais: clínico, cardiologista, neurologista e pneumologista. Também queremos ter um psicólogo”, completa.

“AS PESSOAS PRECISAM SE CUIDAR COMO SE NUNCA TIVESSEM PEGO A COVID-19”, DIZ MÉDICO

A principal mensagem de alerta do médico Fábio Oliveira Marques é que os cuidados de prevenção devem ser tomados mesmo por aqueles que já são considerados recuperados da covid-19.

“O que temos visto na população é que acham que não vai ter de novo. É possível ter reativação. Tem casos documentados e precisamos informas as pessoas, que estão descuidando um pouco. O grande alerta é que as pessoas podem pegar de novo. Precisam se cuidar como se nunca tivesse pego a doença”, avalia.

 

No dia 24 de agosto, Hong Kong documentou um caso de reinfecção do coronavírus pela primeira vez. Os pesquisadores sequenciaram os vírus que causaram as duas infecções em um intervalo de quatro meses e meio.

Já no dia 28, os Estados Unidos identificaram um paciente reinfectado. Um homem de 25 anos testou positivo para covid em abril após apresentar sintomas leves e desenvolveu a doença de forma mais grave no fim de maio. Os cientistas norte-americanos ainda falaram que a reinfecção do coronavírus é provavelmente rara, mas que a a exposição inicial pode não resultar em imunidade total para todos.

CORONAVÍRUS NO BRASIL

Conforme o último boletim, divulgado nesta sexta-feira (4), Foz do Iguaçu registra 68 mortes e 5.400 casos de covid-19. Já a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) confirma 138.293 contaminados e 3.467 óbitos por complicações do coronavírus.

O Brasil tem maios de 125 mil mortos e mais de 4 milhões de infectados, conforme o consórcio de veículos de comunicação no qual o UOL faz parte.

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