Corpos de sem-terra mortos em Quedas do Iguaçu são exumados

Andreza Rossini


Os corpos dos dois integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que morreram em um suposto confronto com a Polícia, em áreas em disputa entre a Araupel e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Quedas do Iguaçu, no oeste do Paraná, no último 7 de abril, começam a passar pelo processo de exumação nesta segunda-feira (30). A exumação dos corpos é feita a pedido da Polícia Civil e deve seguir até a próxima quinta (2).

O corpo de uma das vítimas, Vilmar Bordim deve ser encaminhado para necropsia no Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel, no oeste do estado, a ser realizada nesta tarde (30). A exumação do corpo de Leonir Orbach, que está enterrado em Francisco Beltrão, está prevista para quarta-feira (1).

As versões que foram apresentadas por testemunhas aos investigadores foram contestadas tanto pela polícia e quanto por advogados que cuidam do caso. Os responsáveis pelo caso procuram descobrir se o autor do primeiro disparo foi um policial ou integrante do MST. Ambos os lados afirmam que foram vítimas de emboscada.

A Polícia Civil, a Polícia Federal e o Ministério Público do Paraná investigam o caso.

Confronto

Versão da PM

Na versão da PM, duas equipes foram até o local do assentamento, de difícil acesso, após terem sido acionados para apagar um incêndio. Eles estavam na companhia de funcionários da empresa e teriam sofrido uma emboscada.

“Assim que o fogo começou, os policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e uma brigada de incêndio da empresa Araupel foram até o local para combater as chamas. Mas antes de chegar ao local da queimada, os policiais foram alvo de uma emboscada”, diz uma nota publicada ontem pela Secretaria de Segurança Pública. “Mais de 20 pessoas do MST estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque”.

Dois sem-terra foram presos e duas armas foram apreendidas pela PM.

Versão do MST

A coordenação estadual do MST afirma que não havia incêndio, e que os integrantes do movimento só foram até uma área de mata fechada para descobrir quem estava no local, quando foram atacados. Segundo o MST, a Polida Militar não costumava ir até a área, o que causou surpresa. “Saíram do mato já disparando”, disse Rudimar Moisés.

 

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="360716" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]