Corte de 220 professores ameaça cursos da UEM

Com Rosangela GrisCursos e até campus regionais da Universidade Estadual de Maringá (UEM) correm o risco de terem as ati..

Fernando Garcel - 28 de março de 2017, 15:23

Com Rosangela Gris

Cursos e até campus regionais da Universidade Estadual de Maringá (UEM) correm o risco de terem as atividades encerradas caso se confirme o corte de professores nas universidades estaduais anunciado pelo governador Beto Richa (PSDB).

Das 15.840 horas solicitadas para a contratação de professores em regime temporário, a UEM teve autorizadas somente 6.289 horas. Na prática, isso representa 220 professores temporários, ou seja, cerca de 40% dos cerca de 400 que a universidade contou em 2016. “Não solicitamos novas contratações, apenas a manutenção do quadro do ano letivo passado. Com 220 professores a menos é impossível manter a estrutura atual”, explicou o reitor e professor da UEM, Mauro Baesso.

Ainda segundo o reitor, a maioria dos professores temporários atuam em cursos criados nos últimos 10 anos. “São cursos reivindicados pela comunidade para atender as suas demandas e que agora poderão ser fechados”, lamentou.

Além do corte de horas, o ofício assinado pelo secretário chefe da Casa Civil e presidente da Comissão de Política Salarial (CPS), Valdir Rossoni, interfere na concessão de Tide (Tempo Integral e Dedicação Exclusiva) ao pessoal contratado por tempo determinado, regime de trabalho este imprescindível para o desenvolvimento de projetos, atividades e programas. “A UEM tem 47 anos e esse é, com certeza, um dos momentos mais difíceis da sua história. É uma agressão a autonomia, um retrocesso da política de ensino superior e que compromete a qualidade das universidades ao tentar substituir os professores efetivos por horistas”, diz o reitor.

Na tarde de segunda-feira (27), Baesso se reuniu com os chefes de departamentos para anunciar os cortes propostos pelo governo. Uma nota de repúdido também foi emitida.

Nesta terça-feira (28), o reitor conversará com os diretores dos campus regionais e prefeitos de Maringá, Cianorte, Umuarama, Goioerê, Cidade Gaúcha, Ivaiporã e Diamante do Norte – cidades onde a instituição está presente. Também foram convidados líderes da sociedade civil, dos mais variados segmentos para atuarem em defesa da instituição e da manutenção da estrutura.

De acordo com o reitor, o início do ano letivo de 2017, agendado para a próxima segunda-feira (3), está mantido.

Governo

A Comissão de Política Salarial voltou a se reunir na tarde de ontem. Em nota divulgada no início da noite, o Governo informou que o "número total de horas para contratação de professores temporários será avaliado em conjunto pelas Secretarias da Fazenda, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Administração".

De acordo com o documento, os professores terão que trabalhar 34 semanas. Em relação à carga horária, para os professores em regime de 40 horas sem Tide, a média de horas trabalhadas dentro da sala ficará entre 16 e 20 horas. Para aqueles com Tide a média de horas trabalhadas dentro da sala ficará em 12 horas. Já o professor contratado por um período temporário vai cumprir carga horária média de 18 horas.