Covid-19: Maringá tem o maior número policiais penais contaminados do Paraná

Ana Cláudia Freire

"Se tivermos muitos policiais contaminados, logo não teremos quem trabalhe no sistema prisional. Como vamos fazer? É um serviço essencial que não pode parar", diz vice-presidente do Sindarspen.
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Policiais Penais (antigos agentes penitenciários) do sistema prisional de Maringá estão preocupados com o avanço do novo coronavírus (Covid-19), na cidade, em especial na CCM (Casa de Custódia de Maringá).

Segundo um levantamento feito pelo SINDASRPEN (Sindicato dos Agentes Policiais Penais do Paraná), Maringá se transformou no novo foco da contaminação pelo coronavírus entre os policiais penais.

Somente na Casa de Custódia de Maringá, são nove casos confirmados e 14 ainda aguardando o resultado. Dos casos confirmados, seis são da equipe Bravo, que recebeu presos contaminados da carceragem da 9º SDP no dia 12 de junho.

Para o vice-presidente do Sindicato, José Roberto Neves, esse procedimento não deveria ter acontecido. A Casa de Custódia não teria condições de receber presos contaminados, sem que passagem por uma unidade de triagem, especializada no protocolo para suspeita de Covid-19.

“Os presos com qualquer suspeita não podem vir para a Casa de Custódia ou qualquer outra unidade prisional, sem uma triagem. Esses locais não estão preparados para  receber presos vindo de carceragens com suspeita da doença. O que nós pedimos é que essa triagem e isolamento sejam feitos antes do preso contaminado entrar em contato com os nosso policiais”, afirmou Neves.

Em comparação com outras unidades prisionais no Paraná, Maringá é a que concentra o maior número de casos de policiais penais que testaram positivo para doença.

Segundo o levantamento, Curitiba e Região Metropolitana tem oito casos registrados de policiais penais com Covid-19. Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel registraram apenas um caso entre seus policiais.

O Sindarspen afirma que  não existe uma política de monitoramento no sistema prisional, em tempo real, sendo feita pelo governo do estado e que não há testagem suficiente para a categoria.

“Nós conversamos com o governo e pedimos o levantamento dos casos no sistema prisional. Não temos esses números, não nos foi repassado ainda esse dado. Ficamos alarmados com a situação e Maringá e decidimos fazer o nosso próprio levantamento diário. Precisamos saber dos números reais. Pedimos testagem em massa, toda a semana. Não podemos manter nossos policiais trabalhando sob suspeita da doença. O risco de contaminação é muito grande. A categoria está assustada”, desabafou o presidente do Sindicato.

Neves diz ainda que os policiais com suspeita da doença fizeram o teste na semana passada e estão trabalhando normalmente enquanto aguardam o resultado, por orientação do próprio Depen (Departamento Penitenciário do Paraná), que realizou os testes.

“Se tivermos muitos policiais contaminados, logo não teremos quem trabalhe no sistema prisional. Como vamos fazer? É um serviço essencial que não pode parar. O governo tem que olhar pra isso. Muitos colegas estão procurando fazer o teste em laboratório particular para ter o resultado mais rápido e evitar a contaminação de outros colegas e parentes”.

Para o Sindicato, o casos dos policiais da equipe Bravo, contaminados na transferência de presos é um caso de acidente de trabalho. Ainda assim, eles alegam que os policiais não puderam registrar a situação. Essa é mais uma das reivindicações que está sendo encaminhada ao governo.

Além dos policiais na Casa de Custódia, um outro caso foi registrado na Penitenciária Estadual de Maringá, com um cônjuge de um dos casos confirmados também na CCM.

COVID-19 – TRANSFERÊNCIA PARA CASA DE CUSTÓDIA FOI O ESTOPIM PARA DISSEMINAÇÃO DA DOENÇA ENTRE OS POLICIAIS PENAIS

Para o Sindarspen, a transferência dos presos da 9º SDP para a CCM está diretamente ligada ao  contágio entre os policiais penais da unidade. Policiais teriam relatado que na época havia apenas máscaras descartáveis para uso como material de proteção.

Os agentes ainda disseram que não tinham a informação sobre a condição de saúde dos presos e que os mesmos deveriam ser transferidos diretamente para a “unidade sentinela/referência” que fica em Campo Mourão, destinada ao isolamento de presos com a COVID-19.

Somente depois de passarem pelo isolamento de 14 dias e tratamento nesta unidade é que deveriam ser transferidos para outras unidades.

O QUE DIZ O GOVERNO DO PARANÁ

Em nota, o Depen informou que as Secretarias da Segurança Pública (SESP) e da Saúde (SESA) têm disponibilizado testes para servidores e presos do Paraná, dentro das  medidas de prevenção ao coronavírus seguem os protocolos da SESA e do Ministério da Saúde.

Na área sob jurisdição da coordenação regional de Maringá do Depen, foram feitos cerca de 90 testes para o Covid-19 em presos e servidores, desde o início da pandemia.

Destes, 12 apresentaram resultado positivo, sendo quatro presos e seis agentes penitenciários e dois agentes de cadeia. Oito ainda aguardam resultado.

A nota diz ainda que as medidas de prevenção estão sendo tomadas e que foram disponibilizadas quatro máscaras reutilizáveis para cada servidor da região de Maringá, além de álcool em gel e sabão para higienização das mãos, entre outras medidas já amplamente divulgadas. Caso os agentes que tenham contato com casos suspeitos ou confirmados da doença, têm ainda à disposição óculos, capa e face.

A coordenação de Maringá ressalta que todo preso que entra no sistema prisional ou que é movimentado de unidade, passa por avaliação de saúde, que inclui medição de temperatura e reposta a um questionário de doenças pré-existentes e demais comorbidades.

Em seguida, o detento vai para o banho e troca de roupa, com lavagem dos tecidos em separado, e segue para cela de isolamento por 14 dias. Se não apresentar sintomas, o preso permanece na unidade. Caso algum sintoma apareça, ele é transferido imediatamente para a unidade sentinela.

O Depen esclarece ainda que a unidade sentinela está sendo utilizada para casos suspeitos e confirmados de Covid-19, justamente para não haver riscos maiores de contaminação. A quarentena preventiva, como foi dito, é feita na própria unidade onde o preso será custodiado, porém, sem que ele tenha contato com outros detentos que já estão na unidade.

Sobre a reivindicação do Sindicato para que o caso da CCM seja enquadro como acidente de trabalho, a nota oficial do Governo não aborda o assunto. A nota também não fala sobre o questionamento da reportagem a respeito dos policiais que continuam a trabalhar enquanto aguardam o resultado dos testes.

PARANÁ  TEM AUMENTO NOS CASOS DA COVID-19

A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) confirmou 1.097 casos novos de coronavírus no Paraná, em boletim divulgado nesta quarta-feira (24). A marca alcançada é maior do que os diagnósticos de Covid-19 acumulados nos primeiros 41 dias de pandemia no Estado.

Assim, chega 16.769 o número total de diagnósticos positivos desde março, conforme os registros oficiais.

De acordo com o boletim, 23 mortes por Covid-19 foram confirmadas. São 510 óbitos desde o início do monitoramento.
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Jornalista - Chefe de Redação do Paraná Portal