Criação de parques avançou pouco, dizem ambientalistas

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Segundo balanço do Governo do Estado, desde 2011 as áreas preservadas no Paraná foram ampliadas em 10,7 mil ha (hectares). O número engloba a cria- ção de 26 Unidades de Conservação de diferentes categorias (a maioria RPPN – Reservas Particulares do Patrimônio Natural) e ampliação ou recategorização de outras cinco.

Especialistas em conservação ouvidos pelo Metro Jornal não negaram a importância das medidas, mas relativizaram a extensão e as condições de como e onde foram criados, ampliados ou modificados esses espaços. Para Marcelo Aranha, professor de Ecologia e Conservação da UFPR e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, antes de mais nada é importante lembrar que as novas unidades preservadas (que somam 10,7 mil ha) representam menos de 1% do total preservado existente hoje no Paraná – são cerca de três milhões de hectares entre áreas federais, estaduais e municipais.

Para se ter ideia, de 2011 até o ano passado o desmatamento de florestas nativas atingiu praticamente a mesma área (10,5 mil ha), segundo dados dos Atlas da Mata Atlântica do período, feitos pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

“Outro aspecto é que parte disto [do que foi criado] foram faxinais. São áreas de uso sustentável, não que sejam ruins, mas não é proteção integral”, conta Aranha. Quatro mil hectares vieram nesta configuração, de terras no interior onde famílias fazem troca de produção agrícola e exploração sustentável da floresta.

NúmerosJá o inverso aconteceu no litoral, onde a floresta estadual do Palmito, que permitia o uso sustentá- vel dos recursos naturais, virou Parque Estadual do Palmito neste ano, tornando-se área de proteção integral – onde só são permitidas pesquisas científicas e turismo ecológico, por exemplo. O decreto do Governo também ampliou a unidade em 1,26 mil ha. Agora são 1,78 mil ha.

O biólogo e doutor em Engenharia Florestal pela UFPR Ricardo Miranda de Britez também fez ponderações. “Tem que elogiar, fazia tempo que não se estava criando, mas ao mesmo tempo a maior parte dessas áreas foram criadas no litoral. Existe um deficit nas Florestas de Araucárias e Estacional, números insuficientes para proteger esses ecossistemas – de floresta bem conservada de Araucária só restam 0,8% do original”, lamentou. Além do Parque Estadual do Palmito, a proteção na Mata Atlântica em Paranaguá teve a ampliação de outros 3,39 mil ha, na Estação Ecológica Guaraguaçu.

“Essas áreas [do litoral] não teriam aptidão para agricultura e pecuária, ao contrário do interior, onde estes setores são fortes e há carência de áreas preservadas significativas, são parques muito pequenos”, reforça Aranha.

Precisa de gente

Outro ponto ressaltado é a importância dos Planos de Manejo. “Não adianta só criar, tem todo um trabalho de manutenção a ser feito para cumprir a função pra qual foram criados – não só para flora e fauna, mas os serviços ecossistêmicos de nascentes, rios, proteção do solo, entre outros. É preciso de gente trabalhando na proteção”, diz Britez.

“Os parques estaduais têm sofrido ao longo de década com escassez de pessoal brutal. Isso compromete muito, porque a fiscalização não é efetiva”, explica Aranha.

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