‘A culpa é do proprietário da empresa’, diz advogado sobre explosão em apartamento

Angelo Sfair

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O supervisor da empresa de impermeabilização de estofados envolvida na explosão de um apartamento em Curitiba afirmou em depoimento, nesta terça-feira (02), que a culpa pelo acidente é do casal de proprietários do empreendimento que prestava o serviço. Segundo ele, havia negligências nos protocolos de segurança adotados pela empresa. A combustão do material inflamável é a causa mais provável da explosão, que destruiu parcialmente o sexto andar de um edifício, matando uma criança de 11 anos e deixando outras três pessoas gravemente feridas.

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) vem coletando depoimentos em meio ao inquérito que apura a responsabilidade pela explosão. O supervisor da empresa Impeseg Higienização e Impermeabilização foi ouvido nesta terça-feira (02) na condição de testemunha. Acompanhado de um advogado, ele informou que começou a trabalhar na empresa no mês passado e havia identificado falhas de segurança nos protocolos adotados.

“[O depoimento] foi bem esclarecedor. A culpa é única e exclusiva do proprietário da empresa”, disse o defensor Maurício Zampieri, após a oitiva. “A empresa não tinha equipamentos técnicos adequados, não fornecia equipamentos de PI (proteção individual) para os funcionários, era tudo feito no olho, não havia sequer treinamentos”, completou.

O advogado disse também que o supervisor foi questionado pelo delegado que preside o inquérito sobre as orientações de segurança fornecidas pela empresa. A testemunha alegou que não havia sido informada, em nenhum dos 11 dias de serviço, de que o produto com o qual trabalhava era inflamável.

“Ele disse [ao delegado] que só recebiam a orientação de abrir as janelas devido ao cheiro forte do produto impermeabilizante. Não soube dizer sequer o nome do produto e dos equipamentos que eles usam”, alegou Zampieri.

Casal de proprietário são ouvidos

A Polícia Civil tem prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais um mês, para concluir o inquérito sobre a explosão ocorrida no dia 29 de junho, em um apartamento no bairro Água Verde, em Curitiba.

De acordo com o advogado Roberto Brzezinski Neto, que defende os proprietários da Impeseg Higienização e Impermeabilização, a empresa colabora com as investigações. O casal se apresentou de forma espontânea e foi ouvido por cerca de duas horas.

“Eles estão à disposição para prestar todos os esclarecimentos e demonstrar que não houve crime. O próprio proprietário já realizou diversas vezes os serviços de impermeabilização”, argumentou o advogado, alegando que não houve culpa do casal.

“Realmente foi uma fatalidade, um acidente. Nós confiamos na Polícia Civil, nós confiamos no Instituto de Criminalística. E esperamos que a Polícia Civil possa relatar essa investigação e encaminhar os autos à Justiça para as providências cabíveis”, completou Brzezinski Neto.

O defensor não se manifestou sobre questões administrativas, como licenças, equipamentos de segurança e alvarás.

Polícia Civil aguarda a perícia

As investigações sobre o caso são conduzidas pela Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam). De acordo com o delegado Adriano Chohfi, que preside o inquérito, são aguardados os resultados de dois laudos: o da Polícia Científica e o que é produzido pela empresa que fornece gás natural para o prédio onde aconteceu a explosão.

A perícia é necessária para que a Deam exclua a hipótese de que houve vazamento de gás no apartamento — o que já foi aferido pelo Corpo de Bombeiros. Até o momento, as investigações indicam que a explosão foi causada pelo produto usado para impermeabilizar estofados, embora a culpa pelo acidente ainda não tenha sido identificada.

O delegado Adriano Chohfi confirmou que a empresa não tinha alvará para manusear produtos químicos.

De acordo com a Polícia Civil, imagens gravadas por câmeras de segurança do prédio mostram o funcionário da Impeseg chegando com um galão com capacidade para 10 ou 12 litros.

“O conteúdo é compatível com uma explosão daquela amplitude”, explica o delegado Adriano Chohfi.

O titular da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições diz que as investigações ainda precisam esclarecer a forma como o material inflamável entrou em combustão.

“Temos que verificar se o espaço tinha a devida ventilação. Era seguro? Porque algo deu o ‘start’. Houve orientação para que os moradores do apartamento não causassem faíscas? Não acendessem a luz ou ligassem o fogão?”, conjecturou.

Além de aguardar os dois laudos restantes, a Deam deve continuar a ouvir testemunhas até o final deste semana.

*Com informações de Ana Flávia Silva e Francielly Azevedo

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