Por que Curitiba, com alta dos casos de covid-19, não deve voltar à bandeira laranja?

Vinicius Cordeiro

Em entrevista, o diretor do Centro de Epidemiologia da SMS (Secretaria Municipal da Saúde) revelou que taxa de transmissão do vírus também voltou a crescer
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Curitiba registrou 1.439 casos de covid-19 nos últimos dois dias, número superado somente nos dias 15 e 16 de julho. Já a taxa de transmissão do vírus, chamado de ‘r’, voltou a crescer e está em 1,2, segundo o diretor do Centro de Epidemiologia da SMS (Secretaria Municipal da Saúde), Alcides Oliveira.

Em entrevista ao Paraná Portal nesta sexta-feira (13), ele explica que a atual administração não vai, por enquanto, retomar a bandeira laranja, que representa alerta médio contra a doença e determina medidas mais restritivas.

De acordo com o último boletim, a capital paranaense tem mais de cinco mil pessoas com potencial de transmissão da infecção, classificado pela atual administração como “casos ativos”. Em setembro, quando a bandeira laranja foi adotada pela segunda vez, eram 4,5 mil potenciais transmissores.

No entanto, a SMS garante que a alta dos três indicadores apresentados no texto ainda não é suficiente para alterar a cor da bandeira e que o crescimento da doença é fruto do “fator feriado”, no início deste mês.

“Vemos [o aumento] com preocupação, mas não irá alterar a bandeira nas próximas semanas. Outros indicadores, como procura dos serviços de Saúde e a ocupação dos leitos, estão em estabilidade. O impacto por demanda de ocupação de leitos ainda não tem se expressado e ainda não é suficiente para alterar a cor da bandeira”, explica Oliveira.

A taxa de ocupação dos leitos SUS exclusivos para covid-19 é de 77%, quatro pontos percentuais abaixo em relação ao período de setembro. De acordo com o diretor da SMS, está sendo observada uma redução na taxa de internamentos. O motivo disso seria a contaminação de uma população mais jovem, com faixa etária entre 20 e 39 anos.

“O deslocamento das pessoas e a aglomeração, principalmente os jovens que acabam se descuidando um pouco mais das medidas de prevenção. O perfil é muito semelhante ao que está acontecendo na Europa, dos jovens que viajaram e voltaram para a cidade e adoeceram de uma forma leve, sem necessidade de internamento hospitalar. Então veremos se é essa a tendência nas próximas semanas”, diz o diretor.

Ele ainda reiterou a visão defendida pela secretária Márcia Huçulak ao longo da pandemia. A Secretaria de Saúde aponta que a característica da transmissão da covid-19 em Curitiba é intrafamiliar. Ou seja, esses jovens acabam levando o vírus para os parentes mais próximos, o que ocasiona diversas mortes. “Estamos tendo todo o cuidado em continuar esse monitoramento”, assegura Oliveira.

Desde o início da pandemia, Curitiba tem 57.884 casos confirmados e  1.548 mortes.

CURITIBA ESTÁ NA PRIMEIRA ONDA DA COVID-19, DIZ DIRETOR

O diretor do Centro de Epidemiologia da SMS (Secretaria Municipal da Saúde), Alcides Oliveira, não tem dúvidas se o aumento dos casos registrado nessa semana é consequência da suposta segunda onda de covid-19.

“Nem saímos da primeira. A gente observou que tivemos o pico em julho e vínhamos caindo. Esse é reflexo da primeira onda e está muito semelhante nos outros estados da região Sul do país. Estamos vivendo esse efeito de primeira onda, com efeitos de oscilações. Essa segunda onda poderá vir nos próximos meses de 2021, mas ainda não é o momento”, avalia ele.

Também existe uma preocupação em relação às eleições municipais, apesar do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) ter determinado protocolos rigorosos.

“As pessoas devem usar máscara, lavar as mãos. O ato de votar é exercício de cidadania, é importante que todos compareçam. Mas a nossa recomendação é que as pessoas não aglomerem nas portas dos colégios eleitorais e voltem para suas casas”, finaliza.

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