Manifestação que terminou em vandalismo deixa rastro de destruição em Curitiba

Redação

Oito manifestantes são presos após vandalismo e confronto com PM em Curitiba

A manifestação que terminou em confronto com a PMPR (Polícia Militar do Paraná) deixou um rastro de destruição no centro de Curitiba (veja imagens e vídeos abaixo).

O protesto, com objetivo de combater fascismo e racismo, foi convocado pelas redes sociais e acabou em quebra-quebra. Integrantes do grupo “antifa”, síncope de antifascismo, carregaram faixas e também participaram da ação, marcada por gritos contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O protesto foi iniciado, de forma pacífica, às 18h, na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da UFPR (Universidade Federal do Paraná). “Vidas negras importam. Queremos o fim das operações policiais violentas na favela”, dizia um dos convites, que contava com fotos de negros assassinados, como George Floyd, assassinado brutalmente por um policial branco nos EUA na semana passada, e João Pedro, de 14 anos, morto com um tiro na barriga durante uma operação policial no Rio de Janeiro.

Depois, por volta das 19h30, foi feita uma caminhada até o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual no Centro Cívico.

Além de queimar a bandeira do Brasil, uma parte dos manifestantes ainda depredou agências bancárias, pontos de ônibus, Fórum Cível e o shopping Mueller. Segundo a prefeitura, sete pontos da Praça Tiradentes foram danificados, vidros das estações-tubo Palácio e Comendador Fontana foram quebrados e, na Cândido de Abreu, tubos e totens de pontos de ônibus foram pichados e danificados.

A PM respondeu com tiros de borracha e gás lacrimogênio e efetuou a prisão de sete pessoas. Todos foram encaminhados para o COPE (Centro de Operações Policiais Especiais), da Polícia Civil, pelos crimes de depredação e vandalismo.

Além disso, a corporação informou que um policial militar ficou ferido superficialmente, após ser atingido por uma pedra, e que nenhum manifestante solicitou ambulância.

“Temos a obrigação de defender tanto a sociedade quanto o patrimônio”, falou o coronel Antonio Carlos de Morais, em entrevista ainda na noite desta segunda-feira (2), sobre a “firmeza necessária” adotada pela Polícia Militar.

ORGANIZADORES CITAM “INFILTRADOS”, MAS QUE POLÍCIA USOU FORÇA EXCESSIVA

Os organizadores da manifestação em Curitiba avaliam que o ato foi um sucesso, mas que o vandalismo “representa a presença organizada de infiltrados que desejam a criminalização do movimento”. No entanto, acusaram a PM por “força excessiva”, que “demonstra a incapacidade de diálogo e a opção pela agressão”.

Segundo eles, a manifestação reuniu muitas pessoas que se comportaram e criaram um ambiente de esperança por dias melhores.

O posicionamento foi assinado pelo Movimento Feminista de Mulheres Negras, Bando Cultural Favelados da Rocinha Favela, União da Comunidade dos Estudantes e Profissionais Haitianos, J23 – Juventude do Cidadania, Rede nenhuma Vida a Menos, Apoio do Grupo Dignidade e da Aliança Nacional LGBTI+ e Coletivo Enedina da UTFPR.

PROTESTO EM CURITIBA APÓS CARREATA BOLSONARISTA GERA REPERCUSSÃO NACIONAL 

Visão aérea da manifestação no Centro Cívico, em Curitiba. (Geraldo Bubniak / AGB)

A manifestação de Curitiba gerou comentários na internet. O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que é “inaceitável” a violência e depredação de patrimônios.

“Em vez de atingirem os objetivos propostos, os manifestantes violentos comprometem a legitimidade do movimento”, avaliou.

Já a deputada federal Joice Hasselmann também comentou: “Estamos revivendo os velhos tempos: um presidente que governa p/ os seus e divide o Brasil. Violência é inaceitável —Não importa a cor da camiseta”, alegou.

Vale lembrar que a manifestação, com confusão, aconteceu um dia após a carreata de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Os bolsonaristas dispararam contra os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e também contra Moro, chamando-o de “lixo” e “traidor”.

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