Curitiba apoia Ministério da Saúde no atendimento de casos leves de Covid-19

Jorge de Sousa

Curitiba apoia Ministério da Saúde e dá opções para casos leves de Covid-19

O Ministério da Saúde anunciou na última sexta-feira (11) que recomenda a pessoas com sintomas leves de Covid-19 que procurem atendimento médico, medida que tem o apoio da Prefeitura de Curitiba.

Segundo o diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Alcides de Oliveira, Curitiba tem oferecido opções para que essas pessoas possam se recuperar dos sintomas gripais.

“Não há nenhuma barreira de acesso para o paciente com síndrome gripal em qualquer fase da doença. O que nós também estamos fazendo desde o início de março é que ao iniciar os sintomas a pessoa faça o contato com nosso call center para receber informações e o registro junto da unidade de saúde mais próxima”, explicou o diretor.

O telefone 3350-9000 realiza um monitoramento com os pacientes que estão demonstrando sintomas gripais, podendo inclusive agendar consultas e testes para a Covid-19 caso a equipe médica ache necessário.

“A pessoa poderá passar os primeiros dias em casa, sendo monitorada pelo teleatendimento, porque receberá as ligações e o canal é sempre aberto. Mas se a pessoa decidir, com um quadro um pouco mais severo como febre e dor de garganta, por exemplo, ela pode ir a uma unidade de saúde para ser atendida”, prosseguiu Oliveira.

O diretor ainda reforçou que pacientes com sintomas mais graves como dor no corpo e febre alta (que não diminui com o uso de antitérmicos) devem procurar atendimento médico.

“80% dos casos da Covid realmente são casos leves e não vão precisar de hospitalização, mas os outros 20% que necessitarão de hospitalização, o quanto antes for detectada qualquer tipo de complicação deve entrar dentro dessa rede de assistência para receber o tratamento adequado”, finalizou Oliveira.

RECOMENDAÇÃO DEVE SER ACOMPANHADA DE TESTAGEM

Com o possível aumento de pessoas em deslocamento para receber atendimento médico, a infectologista e professora do curso de Medicina da Universidade Positivo, Viviane Macedo, vê essa situação como uma oportunidade de controlar a doença no Brasil.

“A maior parte desses pacientes pode estar com Covid mesmo, então precisamos localizá-los rapidamente e testá-los. Não é apenas procurar o atendimento médico e sim completar com a testagem. Só assim faria sentido, realizando o isolamento adequado em caso de exame positivo, assim como o isolamento familiar junto”, afirmou a infectologista.

Atualmente a recomendação das autoridades de saúde é a testagem apenas dos quadros mais graves da Covid-19, com os outros sintomáticos sendo orientados a cumprirem o isolamento domiciliar.

“Os assintomáticos leves passam para outros e só diagnosticamos os quadros graves. Então não estamos quebrando o ciclo de infecção. Não temos condições de testar toda a população pela falta de testes, mas que se teste os sintomáticos, porque assim você isola ele e quem mora com ele, diminuindo a cadeia de transmissão”, analisou Macedo.

Mas a infectologista alertou que caso não sejam feitas as testagens, a ida desses sintomáticos para um hospital pode ocasionar novas infecções pela Covid-19.

“Porque colocamos um possível resfriado junto de um suspeito de Covid, ainda mais agora que temos um aumento de casos importantes. Precisamos que nesses casos a pessoa não saia de casa e evite contaminar mais pessoas. O modelo ideal seria fazer uma testagem em outros locais que não os hospitais”, ponderou Macedo.

PROTOCOLO DA CLOROQUINA SERÁ MANTIDO EM CURITIBA

Mesmo com a procura de pacientes com sintomas leves, o protocolo para o uso da hidroxicloroquina será mantido pela Secretaria Municipal da Saúde em Curitiba.

O órgão segue as recomendações expedidas pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Medicina, que dão a autonomia para os médicos decidirem pela utilização ou não da medicação.

“Apesar das evidências científicas serem muito frágeis, os médicos da rede pública e privada têm a autonomia para a prescrição desses medicamentos desde que ele comunique ao paciente e que o mesmo assine um termo declarando estar ciente do tratamento”, continuou Oliveira.

Essa opção também é referendada por Viviane Macedo que também aponta a necessidade de maiores estudos antes da massificação da utilização da hidroxicloroquina.

“Se um paciente insistisse muito eu não daria a recomendação, sendo utilizada em apenas pacientes hospitalizados em alguns locais no Brasil. Eu não sou totalmente contra, eu prefiro esperar os estudos que comprovem essa questão”, contextualizou a infectologista.

Outro remédio que ficou popularizado como eficaz no tratamento contra o coronavírus é a ivermectina, um fármaco utilizado para casos de infecções parasitárias.

Mas assim como a hidroxicloroquina, a ivermectina não tem qualquer estudo científico que garanta sua eficácia, além de não ter sido regulamentada a sua aplicação pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Medicina.

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