Curitiba volta a 100% de ocupação dos leitos de Covid-19 e avalia bandeira vermelha

Vinicius Cordeiro

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Curitiba não tem mais enfermarias para atender pacientes com Covid-19, segundo o boletim da SMS (Secretaria Municipal da Saúde) desta segunda-feira (24), um dia antes reunião do Comitê de Técnica e Ética Médica, que analisa os números da pandemia. A partir da avaliação dos dados, como a taxa de ocupação dos leitos, são estabelecidas as medidas restritivas e feita a atualização da cor da bandeira, que representa o alerta diante da doença. Atualmente está em vigor o decreto 890, sob a bandeira laranja.

De acordo com o informe do coronavírus, praticamente todos os 726 leitos clínicos estão ocupados. A Secretaria aponta que existem três leitos livres, mas existe superlotação em algumas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Por exemplo, somadas, as UPAs Boa Vista, Cajuru e Sítio Cercado têm mais pacientes do que as 130 vagas.

Já a taxa de ocupação dos 525 leitos de UTI exclusivos para covid-19 está em 96%. Restam 22 leitos livres para casos graves. Além disso, Curitiba acumula 208.679 casos e 5.249 mortes por complicações da doença.

A última vez da pandemia em que Curitiba ficou sem leitos foi no dia 18 de março, recorde de confirmações em um dia (2.757 casos em 24 horas). Foram mais 15 dias seguidos sem ter UTIs para casos graves da doença.

Diego Spinoza dos Santos, epidemiologista da SMS, aponta que os números seguem aumentando e que Curitiba não chegou a retomar níveis de ocupação satisfatórios após o caos registrado em março.

“Esperamos que as pessoas nos ajudem e colaborem. A tendência é de crescimento e o cenário é crítico. O que a gente percebe é que a gente não conseguiu uma regressão até a bandeira amarela. A cada vez que a gente acaba tendo um movimento de elevação, nunca voltamos para o patamar anterior”, ressalta ele.

Segundo o painel da transparência, mais de mil pessoas estão na fila por leitos em todo o Paraná. Destes, 402 aguardam em Curitiba e Região Metropolitana.

DEFINIÇÃO DA COR DA BANDEIRA DE CURITIBA

O sistema de bandeiras, definido pela SMS em junho do ano passado, conta com nove indicadores da pandemia referentes ao nível de propagação da doença e capacidade de atendimento do sistema hospitalar.

Com o esgotamento dos leitos de Covid-19 (aliado ao trabalho dos profissionais da Saúde), a manutenção da bandeira laranja depende dos índices de transmissão da covid-19.

No entanto, essas taxas também seguem em crescimento. O boletim de hoje comprova que são 9.966 casos ativos (número de pessoas capazes de transmitir a doença). No início do mês, eram pouco mais de 6 mil casos ativos.

Por fim, a taxa de transmissão estava em 1,10 na semana passada – isso significa que 100 pessoas transmitiam a defesa para outras 110. Logicamente, a pandemia diminui com o índice abaixo de 1 – o que não é o cenário atual com o aumento dos casos.

PREFEITURA NEGA FALTA DE MEDICAMENTOS, MAS ADMITE ESCASSEZ E USO RACIONAL

Durante à tarde, o site Plural noticiou que pacientes com Covid-19 estão sendo amarrados nas camas por causa da falta de neurobloqueadores, medicamentos usados na intubação. No entanto, a prefeitura de Curitiba nega e afirma que o caso se refere ao uso racional, já que existe escassez dos produtos no mercado.

A posição da Secretaria foi comprovada pelo presidente do Sindipar (Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná), Flaviano Feu Ventorim. Ele aponta que a pandemia trouxe dificuldades na aquisição destes medicamentos.

“De modo geral, os hospitais têm importado ou conseguido comprar pequenas quantidades dentro do mercado nacional. Alguns hospitais têm recebido da Sesa e dos municípios, mas vimos com preocupação. Os cuidados da população é que vai resolver problema. Os kits de intubação, não”, completa ele.

Leia a íntegra da nota em que a SMS nega a falta de medicamentos:

A SMS informa que não há falta de sedativos usados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba para procedimento de intubação. No entanto, desde de 2020 há uma escassez no mercado dos medicamentos neurobloqueadores (usados para evitar movimentos involuntários do paciente intubado), como o fármaco de uso hospitalar Rocurônio.

Portanto, há necessidade de uso racional por todos os serviços de saúde, inclusive UTIs hospitalares.

Quanto à contenção mecânica de pacientes, trata-se de conduta clínica usada em hospitais para evitar a extubação pelo próprio paciente quando está em processo de recuperação da consciência, o que pode acontecer em qualquer momento da intubação. Não há inconsistência clínica na técnica usada.

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