Sete manifestantes são presos após vandalismo e confronto com PM em Curitiba

Jorge de Sousa

Oito manifestantes são presos após vandalismo e confronto com PM em Curitiba

A Manifestação “Vidas Negras Importam” terminou com sete presos pela PM (Polícia Militar), diversas lojas e agências bancárias vandalizadas e um cenário de guerra no Centro de Curitiba na noite desta segunda-feira (1).

Os sete manifestantes detidos foram encaminhados para o COPE (Centro de Operações Policiais Especiais), da Polícia Civil, e autuados pelos crimes de vandalismo e depredação.

Um policial militar ficou ferido superficialmente após ser atingido por uma pedra jogada por um manifestante. Segundo a PM não houve a solicitação de ambulância para qualquer protestante.

Segundo a Prefeitura de Curitiba houve danos em estações-tubo e pontos de ônibus na Avenida Cândido de Abreu, na Travessa Nestor de Castro e também na Praça Tiradentes.

A manifestação começou às 18h, quando cerca de 1,2 mil pessoas saíram da Praça Santos Andrade de forma pacífica.

Após mais de dois quilômetros de caminhada, os manifestantes finalizaram a marcha na frente do Palácio Iguaçu, quando se iniciaram atos de vandalismo como pichações e queima de uma bandeira do Brasil.

A PM intercedeu de forma violenta com o uso de bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra os manifestantes.

Os manifestantes então se dividiram pela região central, vandalizando diversos locais como o Shopping Mueller e o Fórum Cível.

MANIFESTANTES ENTOARAM CORO CONTRA BOLSONARO

Centro de Curitiba vira palco de guerra entre PM e manifestantes
Agência bancária na Avenida Cândido de Abreu teve diversos vidros quebrados durante protesto. (Geraldo Bubniak/AGB)

Mesmo que o objetivo original do protesto fosse contra a violência policial à população negra, o presidente da República, Jair Bolsonaro, também foi alvo dos manifestantes.

Vale registrar que foram notados manifestantes do grupo Antifa, síncope da palavra “antifascistas”.  O Antifa é um grupo extremista originado na Europa que prega o uso da violência para combater o fascismo. Neste domingo (31), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que a organização seja tratada como uma célula terrorista pelos agentes de segurança do país.

Jair Bolsonaro não confirmou a mesma medida, mas compartilhou a postagem de Trump em que o norte-americano afirma a decisão.

ORGANIZAÇÃO APONTA “INFILTRADOS” COMO VÂNDALOS

Os organizadores da Manifestação “Vidas Negras Importam” emitiram nota apontando que as ações de vandalismo ao final do ato foram protagonizadas por “infiltrados”.

Na visão dos organizadores, a manifestação contou com um público acima do esperado e que se comportou de maneira ordeira e com as medidas de segurança contra a propagação do novo coronavírus (Covid-19).

Confira abaixo a nota dos organizadores da Manifestação “Vidas Negras Importam” na íntegra:

A organização do ato CONTRA O RACISMO EM CURITIBA vem a público manifestar que, diferentemente do vinculado nas redes sociais e na imprensa, os manifestantes, além de utilizar proteção para evitar a propagação da epidemia de COVID-19, comportaram-se de maneira ordeira, em defesa da democracia e contra o racismo!

O ato foi um sucesso. Reuniu muitas pessoas, teve uma atmosfera esperançosa por dias melhores.

Nossa luta é por igualdade, contra o racismo, a violência contra jovens negros nas periferias, a proliferação de grupos que propagam o ódio e o genocídio de brasileiros promovido pela falta de uma política clara de saúde durante esta pandemia.

Infelizmente, no final do ato, em uma dispersão de alguns poucos, houve vandalismo contra o patrimônio público. O que, ao nosso ver, é muito estranho e suspeito e representa a presença organizada de infiltrados que desejam a criminalização do movimento.

O uso de força excessiva por parte da polícia demonstra também a incapacidade de diálogo e a opção pela agressão.

Conclamamos a união de curitibanos de forma individual ou através dos movimentos sociais para a defesa da democracia contra o racismo.

VEJA OS VÍDEOS DOS CONFRONTOS NO CENTRO DE CURITIBA

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