Ex-servidoras confirmam denúncias contra Katia dos Animais

Mariana Ohde


Com Metro Curitiba

A Comissão Processante da Câmara Municipal de Curitiba realizou, nesta quinta-feira (26), sua primeira audiência para ouvir oficialmente as denúncias contra a vereadora Kátia dos Animais de Rua (SD). Ela foi acusada por seis ex-servidores do gabinete de cobrar a devolução de parte de seus salários.

Foram ouvidas Luciana Chucene, ex-chefe de gabinete, e Virginia Vargas da Costa, ex-assessora de imprensa. Ambas confirmaram os pedidos de Katia. “Eu não iria me expor a uma situação dessa (da denúncia), a não ser que fosse verdade e que eu estivesse muito indignada com o tudo que eu vi”, disse Luciana. Ela contou também que os funcionários sofriam “maus tratos” por não quererem dar dinheiro.

Ela apresentou um comprovante de R$ 5 mil reais na conta da vereadora. “Uma vez que existe o comprovante de que foi realizada (a transferência), e de que esse dinheiro não foi devolvido, acredito que não exista o que questionar”, completou.

Segundo Luciana, no início do mandato Katia chegou a falar em auxílio dos funcionários à causa animal, “5% do salário para ração dos cachorros, mas que depois ela ia tratar sobre isso e não chegou a falar mais”.

Luciana disse também que outros funcionários precisavam repassar mensalmente  valores, alguns chegavam a “de R$ 3 mil a R$ 3,4 mil”. Contou que, do jornalista Diego Xavier, Katia teria exigido R$ 1,5 mil mensais, mas que ele só teria repassado R$ 1 mil inicialmente, pois sua mãe havia ficado doente e ele precisava do dinheiro.

“Houve uma cobrança disso [do restante] e ele acabou sendo exonerado. Fui obrigada, bem quando a mãe dele estava pra falecer, a dar a notícia de que ele estava desempregado”, relatou Luciana.

A ex-chefe de gabinete disse não ter acompanhado o momento do depósito que o jornalista fez, mas o advogado da parlamentar, Paulo Golambiuk, questionou a afirmação e sustentou que “há muita fragilidade no depoimento”.

Foto: CMC
Foto: CMC

“Houve muitas contradições, como por exemplo, diz [na denúncia escrita] que acompanhou um dos assessores ao banco para fazer o depósito, mas, na verdade, ela veio aqui e disse que não, que jamais, em nenhum momento, contradizendo o que ela mesma em tese subscreveu”.

Golambiuk defende a tese de que não era um repasse, um desconto do salário, mas sim um empréstimo. “Ela [Luciana] confirmou que o depósito realizado em maio deste ano, que se tem comprovante bancário, era um mero empréstimo e não um repasse”. Em entrevista à imprensa, o advogado alegou que “se a vereadora realmente estiver devendo pra ela, deve ajuizar uma demanda na Justiça comum e não pleitear a cassação”.

Contribuições mensais

Já Virginia disse ter sido pressionada para fazer os pagamentos, mas que se recusou e por isso foi demitida dois meses depois. “Foram até minha residência e falaram de uma situação que haveria no gabinete, e que eu teria que repassar R$ 1,5 mil do meu salário todos os meses. Só que eu disse que não poderia fazer e não realizei nenhum repasse”, contou. “Falaram que seria uma contribuição mensal, que todos do gabinete fariam”.

“Acho que a minha demissão ocorreu por um complô que foi realizado dentro do gabinete com vários funcionários que faziam esse repasse e que não estavam contentes por eu não estar fazendo”, disse Virgínia.

Para receber os valores, Kátia alegava precisar de recursos para atender animais de rua (sua plataforma eleitoral) e também para a compra de uma Kombi, que não teria sido feita.  Segundo Virgínia e Luciana, não era Katia, mas o esposo dela (que não tem cargo em comissão), quem comandava o gabinete. “Katia sempre foi muito submissa ao Marcos no gabinete, era o Marcos que usava a mesa dela, ocupava o computador dela. Foi o Marcos quem me demitiu, a Katia não estava no gabinete”, afirmou a jornalista.

Ontem, o advogado de Katia, Paulo Henrique Golambiuk, disse que os pedidos eram por empréstimos. “De forma alguma havia obrigatoriedade de repassar. Havia, eventualmente desde a época de antes das eleições, pedidos eventuais de empréstimos, para atender animais, como ela sempre fez”, disse.

Processo

O presidente da Comissão Processante, Cristiano Santos, informou que ainda restam duas oitivas de denunciantes – Samira Tomé e Ronaldo Sérgio da Silveira Filho, que não puderam comparecer e pediram o reagendamento dos depoimentos. O jornalista Diego Xaver está na Irlanda, não deixou contatos, por isso não pôde ser notificado, e Maíra Bonfim, que está no Mato Grosso.

“Depois teremos as testemunhas da própria vereadora Katia e por fim a vereadora para que apresente as suas defesas. Estamos prezando pelo cuidado, fazendo de tudo para garantir a ampla defesa, ouvindo as pessoas que estão denunciando, estaremos também ouvindo as testemunhas de defesa da vereadora, o que a gente quer é que a Justiça prevaleça”, salientou Santos.

Ao final do processo, a Comissão poderá opinar pelo arquivamento do processo, ou pela cassação do mandato. O relatório será encaminhado aos demais vereadores e a decisão será tomada em plenário, pelos 38 parlamentares.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal