Após reunião, alunos decidem manter ocupação na UFPR

BandNews FM Curitiba

Eles protestam contra a demissão de funcionários do Restaurante Universitário.

Os estudantes que ocupam parte do prédio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) afirmam que “não houve êxito em relação às pautas apresentadas pelo grupo” após uma reunião com representantes da instituição.

Os alunos e servidores da UFPR ocuparam o prédio na terça-feira (10). De acordo com a organização da manifestação, o ato é contra a “perseguição política” de trabalhadores terceirizados do Restaurante Universitário (RU) da instituição e a recontratação destes funcionários. Eles protestam contra a demissão de funcionários terceirizados da empresa Blumenauense.

Uma nota, divulgada na página mantida pelos alunos que fazem parte do protesto, afirma que a ocupação será mantida até que seja tomada uma atitude pela Reitoria, recontratando imediatamente os trabalhadores demitidos.

Segundo a UFPR, o posicionamento do movimento ainda foi repassado de forma oficial para a instituição.

Ocupação

Desde terça, cerca de 30 estudantes estão nos departamentos de Licitações e Contratações (DELIC) e de Logística (DELOG).

Na reunião feita nesta quarta-feira (11), eles chegaram a acatar o argumento da Reitoria de que está em curso um processo de fiscalização nos Restaurantes Universitários pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que deve resultar num relatório sobre a real situação dos restaurantes.

A pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFPR, Maria Rita de Assis César, afirma que a ocupação pode trazer prejuízos para os funcionários. “Foi uma reunião de entendimento importante”, disse.

“Foi dada aos estudantes a possibilidade de desocuparem um lugar muito sensível, que faz uma parte importante do pagamento dos terceirizados. É um local que é fundamental que seja desocupado rapidamente, para que não haja prejuízo para os trabalhadores terceirizados”, explica.

Na área ocupada pelos estudantes funcionam três gerências e três divisões administrativas da UFPR, responsáveis por serviços como malote, protocolo, apoio à fiscalização de serviços terceirizados, importações, licitações e gestão de contratos.

Esses serviços são necessários para a liberação do pagamento dos salários dos servidores terceirizados e, como estão suspensos, podem gerar atraso no processo. A ocupação do prédio foi organizada por um coletivo de alunos chamado de Frente de Apoio à Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras Terceirizados da UFPR.

De acordo com o movimento, pelo menos 13 trabalhadores do RU foram demitidos após participarem de uma greve no ano passado. No dia em que o local foi ocupado, uma estudante do movimento, que não quis se identificar, disse que o coletivo recebeu denúncias de más condições de trabalho entre os terceirizados.

Ela conta que as seguidas demissões promovidas pela empresa causaram um aumento nos acidentes de trabalho, já que os funcionários do RU estariam sobrecarregados.

“A situação do RU é absurdamente precária. O quadro de trabalhadores foi de 280 para, no início do ano, 180”, diz. “Os trabalhadores estão sobrecarregados. Queimaduras, acidentes de trabalho, têm acontecido bastante. Eles começaram a se movimentar, fizeram uma assembleia e foram demitidos arbitrariamente, sem motivo algum”, afirma.

Segundo a UFPR, a atuação da universidade a respeito dos RUs é limitada, por se tratar de contratos de terceirização. Questões trabalhistas, por exemplo, são de responsabilidade da empresa que administra os restaurantes. A instituição afirma que tem exercido com rigor o papel de fiscal do contrato e realizado os ajustes que estão na sua área de competência.

Desde o dia 6 de abril, o Ministério Público do Trabalho realiza inspeções em todas as unidades do RU em Curitiba.

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