Em apresentação de novo ônibus, Greca fala em “tarifa menor”

Mariana Ohde


Com Brunno Brugnolo, Metro Curitiba

Com a renovação da frota anunciada há uma semana, o prefeito Rafael Greca (PMN) participou nesta quarta-feira (22) da apresentação de um novo modelo de biarticulado da Scania, que entra na concorrência do modelo em Curitiba – atualmente apenas com biarticulados da também sueca Volvo.

Após a alta de quase 15% na tarifa neste ano – com a justificativa da compra de novos ônibus –, o prefeito comentou durante o evento que a chegada paulatina de 450 veículos até 2020 não irá mais influir no cálculo da tarifa do passageiro.

Greca também disse que a cogestão da bilhetagem, que faz parte do acordo firmado com as empresas, vai “buscar a redução de tarifa”.

Pelo acordo, o dinheiro das passagens continuará indo para o Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC), mas as empresas terão participação direta na bilhetagem – hoje nas mãos da Urbs.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), Maurício Gulin, já foram formados vários grupos de estudo em parceria com a Urbs. “Queremos chegar num consenso, em conjunto, trazer otimização de custo, qualidade de serviço, novos cartões e maior número de pontos de vendas”, declarou.

Na RMC, através da Metrocard, as empresas já administram a bilhetagem de forma integral há dois anos. O cartão-transporte da RMC é conjunto com um cartão pré-pago, que funciona como um cartão de débito de banco.

Sobre o novo biarticulado, Gulin diz estar otimista com a grande possibilidade homologação do veículo pela Urbs. “Com isto, abre um novo mercado e, quanto mais concorrência, melhor para todos nós”. O veículo, que deve ser liberado para testes a partir de hoje, terá acompanhamento diário das empresas, que vão avaliar seus benefícios.

O ônibus F 360 HA lançado pela Scania no Brasil. Foto: Cesar Brustolin / SMCS
O ônibus F 360 HA lançado pela Scania no Brasil. Foto: Cesar Brustolin / SMCS

De acordo com Eduardo Monteiro Pinto, executivo de vendas da Scania, as experiências com o biarticulado em outros países mostram economia de combustível. “Vamos deixar os operadores locais verem o percentual”, disse. Dos 150 ônibus prometidos para 2018, os primeiros 25 serão biarticulados, a serem entregues até março. O restante ainda será definido.

Tarifa técnica

A prefeitura anunciou, no dia 14 de novembro, o aumento da tarifa técnica de R$ 3,79 para R$ 4,06 – e garantiu que não haverá aumento para os passageiros. A tarifa técnica é o custo do transporte dividido pelo número de passageiros pagantes; ela representa o valor real por passageiro pago às empresas de ônibus.

Em fevereiro, a prefeitura aumentou a tarifa para pelos passageiros para R$ 4,25, com o objetivo de custear mudanças como a renovação da frota e prevendo o aumento da tarifa técnica. O Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC), para onde vão as receitas (passagens) do transporte e que remunera os pagamentos do sistema, atualmente, tem saldo de R$ 42 milhões.

Em janeiro de 2017 o saldo do FUC era negativo em R$ 5,7 milhões. O reajuste da tarifa de ônibus, em 6 de fevereiro de 2017, foi necessário, segundo a prefeitura, para o reequilíbrio, “tanto para renovar a frota como para pagar em dia o serviço de operação do transporte coletivo e acabar com as paralisações constantes no sistema”.

A Urbs afirma que o transporte coletivo de Curitiba não conta com subsídios, sendo a única fonte de receita a tarifa paga pelos passageiros.

Renovação da frota

Na ocasião do anúncio da renovação da frota, a prefeitura e o Setransp assinaram um termo de ajuste de interesse público. O objetivo é comprar 150 ônibus novos por ano até 2020, chegando a um total de 450.

O ajuste deve acabar com uma disputa judicial, que, segundo a prefeitura, impedia a modernização do transporte há quatro anos. 23 ações judiciais das empresas contra a Urbs tramitavam na Justiça desde 2013, sob a justificativa de desequilíbrio financeiro do contrato, o que impedia a renovação, segundo a administração municipal.

“É uma medida de virtude a construção desse termo de ajuste para acabar com a disputa judicial que impede a modernização do transporte coletivo, reequilibrando a relação com os consórcios de empresas. A judicialização não faz bem ao serviço público e faz mal à população”, disse o prefeito Rafael Greca (PMN) no dia do anúncio.

ônibus curitiba
Foto: Rodolfo Buhrer/Paraná Portal

Os primeiros novos ônibus serão 25 biarticulados que entrarão em operação em março de 2018. Os outros 125 ônibus serão entregues ao longo do próximo ano, conforme modelo e linhas a serem definidas pela Urbs com os gestores dos consórcios. O termo seguirá para avaliação e homologação da Justiça.

O termo de ajuste é entre prefeitura, por meio da Urbs, e Setransp. Nele, a Urbs aceita ser facilitadora do acesso ao crédito pelas empresas para o financiamento dos novos veículos. No caso, a Urbs poderá bloquear o pagamento às empresas e transferir o dinheiro aos credores do financiamento.

No termo de ajuste, que será homologado pela Justiça, serão retiradas 23 ações, com exceção daquelas movidas pelas empresas metropolitanas, que não fazem parte do contrato com a Urbs e as da empresa Expresso Azul.

Frota

Atualmente, a frota de Curitiba em circulação é de 1.282 ônibus (frota operante). Existe ainda a frota reserva, totalizando 1.637 veículos. Desde 2013 não há renovação de ônibus, o que provocou um acúmulo de veículos vencidos, que poderia chegar a 660 ônibus da frota operante em 2020.

Com o termo de ajuste, deve haver renovação de quase 70% desse total (660 ônibus), segundo a prefeitura. A aquisição da frota é feita diretamente pelas empresas com os fabricantes de chassis e carrocerias. O investimento é amortizado pela Urbs no prazo de 10 anos, para os ônibus convencionais e 12, no caso dos biarticulados. No fim da vida útil essa frota é revertida ao município, que poderá leiloar os ônibus.

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal