Manifestantes mudam acampamento Lula Livre após acordo

Mariana Ohde, BandNews FM Curitiba e William Bittar - CBN Curitiba

O acampamento foi montado nas proximidades da PF após a chegada do ex-presidente à capital.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e movimentos sociais começaram a desmontar, nesta terça-feira (17), o acampamento Lula Livre, montado nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está detido desde o dia 7 de abril.

Foram quase dez dias de acampamento em apoio a Lula. A decisão de desmontar o acampamento foi tomada em reunião entre a organização dos movimentos sociais, representantes do governo do Paraná e da prefeitura de Curitiba.

No local, serão mantidas apenas quatro tendas, que darão suporte aos atos públicos, que devem ser mantidos. Os manifestantes passarão a pernoitar em um local privado, a três quadras do acampamento original. O terreno será alugado pelos manifestantes por 30 dias – o prazo pode ser prorrogado.

Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta, as mudanças devem proporcionar mais conforto aos militantes. “O acampamento não para de crescer. Na medida em que ele não para de crescer, nós temos que nos estruturar para dar conta do tamanho que ele está adquirindo. O que é uma coisa boa. É um bom problema”, disse, ressaltando que o movimento está feliz com a resposta da sociedade.


Coube ao ex-deputado Angelo Vanhoni, secretário-geral do PT no Paraná, comunicar as mudanças aos militantes. “As caravanas serão recebidas aqui, a centralidade da organização vai ficar aqui, o som vai ficar aqui. A parte de estrutura, de acomodação e de cozinha vai ficar a 800 metros daqui”, disse, no acampamento.

Nesta terça-feira (17), após as 10h, a programação no acampamento conta com a presença de deputados e do jurista Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça, além da visita de senadores durante a tarde.

Eventos 

Um termo assinado entre os manifestantes e o governo prevê que eventos culturais, como shows e apresentação de artistas, devem ser previamente ajustados com a administração pública. De acordo com o governo, a prioridade é manter o diálogo construído com as lideranças dos movimentos sociais.

Segundo o secretário de Segurança Pública, Júlio Reis, os esforços são feitos para garantir o funcionamento dos serviços oferecidos pela PF, como a emissão de passaportes, que é realizada no local.

“A gente garante e respeita o direito de manifestação deles. Isso está sendo objeto desses debates”, disse. Porém, o secretário ressalta que as decisões têm sido tomadas também “em respeito às pessoas que moram naquele entorno e estão tendo alguma dificuldade em razão dessas manifestações”.

Multa suspensa

O termo também prevê a suspensão da multa de R$ 500 mil por dia que havia sido determinada pela 3º Vara da Fazenda Pública no último final de semana. Segundo a decisão, os militantes estavam infringindo o interdito proibitório, concedido quando o ex-presidente Lula chegou à PF para começar a cumprir a pena.

Parque Atuba

Uma das sugestões era transferir o acampamento para o Parque Atuba, a cerca de 3 km do local original, que seria emprestado pela prefeitura. Segundo o jornalista Pedro Carrano, responsável pela comunicação, o local era muito afastado. “É um lugar extremamente isolado, um local ao qual a gente não quer recorrer no sentido de perder o diálogo com a população”, disse.

Para ele, a decisão foi positiva. “Na praça Olga Benário, em frente à polícia, se mantém a comunicação do movimento, secretaria, a parte de saúde, de doações. Agora, a gente acaba de fazer a transferência para um terreno a três quadras de onde estava o acampamento, onde as pessoas vão instalar a cozinha e as barracas”.

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