Testemunha de defesa diz que já deu dinheiro para vereadora

Fernando Garcel


Narley Resende e Fernando Garcel

Os depoimentos de testemunhas de acusação no caso que investiga se houve quebra de decoro parlamentar da vereadora Katia Dittrich (SD), conhecida como Katia dos Animais de Rua, na denúncia que apura a apropriação de parte dos salários de funcionários comissionados foram concluídos nesta quarta-feira (8). No total, são seis denunciantes. Quatro prestaram depoimento na Comissão Processante e dois não moram mais em Curitiba e se abstiveram de depor.

Foram ouvidos nesta quarta-feira Ronaldo da Silveira Filho e a ex-assessora Samira Tomé. A mulher, que é advogada, conheceu Katia Dittrich por meio do PDT. Ela orientava a protetora de animais com dúvidas jurídicas e foi convidada a trabalhar no gabinete após as eleições de 2016. Ela foi funcionária comissionada de Katia durante um mês. Samira afirma que a vereadora solicitou R$ 2 mil mensais em nome de “ajuda de custo para o gabinete” e do contrário perderia o cargo.

“Quando ela me fez esse pedido eu tirei o crachá e coloquei na mesa dela. Eu perguntei ‘e se eu não quiser pagar?’, ela disse ‘vai ser exonerada'”, declarou. “Eu sai daqui e nunca mais quis voltar a esta Casa. Eu passava aqui na frente e tinha nojo”, conta Samira. Eu pensei ‘é uma candidata nova, está defendendo animais, com certeza vai ter bons propósitos’, mas não existe defesa de animais, não existe projeto nenhum… O que existe é nome de rua, lombada e isso decepciona”, desabafa.

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Na semana passada, Virginia Vargas e Luciana Chucene prestaram depoimento entre os acusadores. Virginia disse ter sido pressionada para fazer os pagamentos, mas que se recusou e por isso foi demitida dois meses depois. “Foram até minha residência e falaram de uma situação que haveria no gabinete, e que eu teria que repassar R$ 1,5 mil do meu salário todos os meses. Só que eu disse que não poderia fazer e não realizei nenhum repasse”, contou na ocasião.

Defesa

Em entrevista, após o depoimento, a testemunha de defesa da vereadora, Thais Ramos, afirmou que as exonerações estavam ligadas ao desempenho dos ex-funcionários comissionados. Ela está lotada no gabinete da vereadora desde o início da legislatura. Thais nega que tenha recebido solicitações da vereadora para devolver parte do salário, mas que faz doações regulares mesmo antes de assumir o cargo no gabinete.

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De acordo com o advogado da vereadora, Paulo Henrique Golambiuk, os denunciantes não apresentaram provas além dos depoimentos. “Há muita fragilidade em relação ao que é dito. Não há robustez nas provas apresentadas”, diz.

Entre as provas apresentadas pelos denunciantes estão comprovantes de depósitos bancários feitos por ex-assessores na conta da parlamentar. De acordo com a defesa “o banco de ninguém pede autorização para entrar na sua conta” e que os documentos não comprovam que o dinheiro seja referentes a repasses de salários.

Próximos depoimentos

Foto: CMC
Foto: CMC

Nesta quinta-feira, a Comissão Processante deve ouvir quatro testemunhas de defesa durante a manhã e outras três à tarde. Katia Dittrich será última a ser ouvida, também na tarde de quinta.

A Comissão que investiga o caso internamente é formada pelos vereadores Osias Moraes, relator; Cristianos Santos, presidente; e Toninho da Farmácia, membro. A partir do relatório elaborado com base nas reuniões e provas colhidas ao longo do processo, o Plenário Câmara deve decidir se a vereadora será cassada, punida de acordo outras eventuais recomendações do relatório ou absolvida.

Outras investigações

Paralelamente à Comissão Processante da Câmara de Curitiba, o Ministério Público do Paraná (MPPR) recebeu uma denúncia sobre o caso. O Solidariedade, partido da vereadora, também apura as denúncias.

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