Vereadora chora ao dizer que é achacada nas ruas

Fernando Garcel


Narley Resende e Fernando Garcel

A vereadora Katia Dittrich (SD), conhecida como Katia dos Animais, chorou nesta quinta-feira (9) ao dizer que tem sido xingada constantemente nas ruas após a denúncia a que responde na Comissão Processante da Câmara de Curitiba. A comissão apura se houve quebra de decoro parlamentar da vereadora na suposta apropriação de parte dos salários de funcionários comissionados. Com o depoimento de Katia, nesta quinta, a comissão encerrou a fase de audiências.

A imprensa foi impedida de registrar ou transmitir o depoimento. Após a oitiva, a vereadora falou brevemente com jornalistas e atribuiu as denúncias à “maldade no coração das pessoas” e reafirmou sua inocência em tom emocionado.

“Acredito que findado isso, a minha inocência vai ser comprovada. A gente nunca espera que as pessoas que são mandadas embora vão tomar essa posição contra a gente. Só tenho a agradecer que estou aprendendo muito. O que eu desejo para elas é tudo de bom e de melhor. Eu vou continuar sendo a pessoa boa que eu sou”, declarou Katia.

A vereadora se emocionou ao dizer que sofreu ataques nas ruas, supermercado e em um estádio. “Eu fui condenada? Eu não posso ir ao mercado? Eu continuo tendo uma vida simples. Tudo o que eu faço é pelos animais. As doações diminuíram muito. Não vou deixar de fazer meu trabalho de voluntariado”, declarou.

Veja a entrevista:

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O prazo regimental para conclusão do processo é de 90 dias úteis, que se encerram em fevereiro. A vereadora poderá ser condenada e cassada, sofrer sanções ou ser absolvida.

O presidente da Comissão Processante, vereador Cristiano Santos (PV), diz que a expectativa é concluir a apuração e levar o caso para votação ainda neste ano.  “Nós não queremos atropelar etapas, não queremos correr o risco de criar qualquer ato injusto. A ampla defesa está e será garantida. Imagino que, até o final de 2017, a gente tenha a conclusão de tudo, inclusive a votação em plenário”, disse.

Acusação

Katia é acusada de se apropriar de parte dos salários de funcionários e ex-funcionários de seu gabinete. Eles protocolaram a denúncia contra a parlamentar no dia 15 de agosto, na Mesa da Câmara Municipal de Curitiba e na presidência do partido Solidariedade. Os denunciantes apresentaram, na ocasião, comprovantes de depósitos bancários e termos de declaração em que afirmam terem sido demitidos depois de se recusarem a aceitar a prática.

Defesa

A defesa da vereadora tem sustentado que os repasses feitos pelos funcionários eram empréstimos e doações espontâneas para atividades de proteção a animais. Ao se pronunciar no plenário, em agosto, a vereadora afirmou que foi vítima de “um grande complô”, organizado pelo ex-vereador e suplente de Katia, Zé Maria, do mesmo partido.

Relator

O relator do processo, vereador Osias Morais (PRB), disse que ainda precisa avaliar todas as provas antes de apontar o sentido do relatório. As partes tem cinco dias cada para apresentar argumentos antes que o presidente da Casa possa marcar a sessão plenária que vai votar, com base no relatório, se houve quebra de decoro.

Osias Morais adiantou que houve contradições em depoimentos. “Por parte de todos. O que nós viemos ouvindo nós percebemos que precisamos analisar mais profundamente, para um parecer com mais propriedade. [Contradições] sobre a forma como essas doações eram recolhidas”, diz o relator.

Provas

Um depósito e uma transferência são usados como prova de que funcionários repassara dinheiro à vereadora. Uma funcionária fez um empréstimo consignado de R$ 5 mil e depositou o dinheiro na conta de Katia. A funcionária pagou duas parcelas do consignado e, após as denúncias, a vereadora assumiu as parcelas seguintes, por ser fiadora da transação. A vereadora relatou em depoimento que devolveu em dinheiro, “em mãos”, o valor das duas primeiras parcelas pagas pela funcionária.

No outro caso em que há comprovante bancário, a vereadora alega que emprestou R$ 1 mil a um funcionário e que a transferência feita por ele foi para quitar esse empréstimo. “No primeiro mês [de trabalho no gabinete] ele recebeu apenas dois terços do primeiro salário. E como estava com a mãe doente em emprestei o que eu tinha. Porque sou uma pessoa boa. (…) Dei em dinheiro. Eu tinha 530 reais no bolso e saquei naquele dia. Dois saques, um de 180 reais e 300 reais”, disse a vereadora.

Ao todo, nove funcionários foram exonerados em sete meses do primeiro mandato de Katia. Sete desses funcionários disseram haver um esquema de devolução de valores à vereadora. Uma funcionária atual chegou a dizer, nessa quarta-feira, após seu depoimento, que já depositou dinheiro para a vereadora “para ajudar na causa” de auxílio a animais de rua.

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