FCC quer resgatar a história de anônimos do Cemitério Municipal de Curitiba

Mariana Ohde


Com Cristina Seciuk, CBN Curitiba

Um novo projeto da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) pretende resgatar feitos de curitibanos sepultados no mais antigo cemitério da cidade, o Cemitério São Francisco de Paula. Em 51.440 metros quadrados, o cemitério abriga oitenta mil pessoas – e oitenta mil histórias.

Batizada de Memento Tuum, que, em latim, significa “lembre-se dos seus”, a iniciativa é da pesquisadora da FCC Clarissa Grassi. Hoje, ela realiza visitar guiadas no local para compartilhar a história de algumas das personalidades enterradas ali.

“Sempre que eu fazia uma visita guiada, as pessoas me procuravam, comentavam ‘Ah, meu bisavô fez tal coisa, foi isso, foi aquilo’, contava um caso público, um feito em relação à cidade. E era sempre aquela sensação de que você nunca conhece totalmente as pessoas que estão no cemitério”.

“São 80 mil sepultamentos ali dentro, a gente pode passar a vida toda pesquisando que nem sempre a gente vai ter esse gancho. Muitas vezes, você sabe que a pessoa está ali, mas não sabe o que ela fez”, lamenta.

O material coletado pode ampliar o roteiro das visitas guiadas existentes no local, que detalha a história e as ações em vida dos mortos ali enterrados. Hoje, o cemitério já tem 20 jazigos biografias de políticos, artistas e outras figuras conhecidas da cidade.

Qualquer pessoa que já tenha ido ao Cemitério Municipal São Francisco de Paula sabe que há diversas sepulturas que saltam aos olhos dos visitantes, mas nem por isso as lápides mais simples devem passar despercebidas, diz Clarissa. “Se a gente anda pelo cemitério, nossos olhos se voltam para os túmulos mais suntuosos, as esculturas mais elaborados, curiosas. Então, a ideia é mostrar que, às vezes, no túmulo mais singelo, pode estar escondida uma história importante para a cidade”, conta.

É justamente para atrair a atenção a outros jazigos que foram colocadas placas com as biografias destas pessoas. “Às vezes, é um tumulo pelo qual você passa batido, sem saber quem está ali, e, de repente, é Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil. É o Vicente Moreira de Freitas, ex-escravo, fundador da Sociedade 13 de Maio”, exemplifica. “Não são túmulos suntuosos, são como os demais. Não há nada que os destaque, digamos, arquitetonicamente falando”, afirma.

Você sabe de uma história de vida que deixou saudades e orgulho? Ela pode ser enviada ao projeto pelo e-mail memento@fcc.curitiba.pr.gov.br. Devem ser informados o nome completo, data de falecimento, localização da sepultura e os principais atos realizados pela pessoa.

“As pessoas podem enviar as informações que vamos receber e manter contato com as famílias para obter mais informações, para dar andamento a esse processo de seleção”, diz a pesquisadora. Clarissa também ressalta a importância da iniciativa para o resgate da memória das famílias e para a valorização e conservação do cemitério.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal