Saúde das tartarugas no Litoral preocupa pesquisadores

Brunno Brugnolo - Metro Curitiba

A tartaruga é considera uma "sentinela" do meio ambiente e sua saúde reflete as condições do Litoral.

Apesar do número recorde de animais registrados no litoral do Paraná durante a avaliação da população regional de tartarugas-verde (Chelonia mydas) pelo Rebimar (Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha) em março, os pesquisadores não tiveram boas notícias.

Na operação realizada entre os dias 4 e 22, 77 diferentes tartarugas foram capturadas e avaliadas em relação à condição de saúde, por meio de análises sanguíneas e bioquímicas, e quanto a características biológicas – por meio de biometria e amostras coletadas.

Segundo a bióloga Camila Domit, responsável pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, e coordenadora das atividades com tartarugas marinhas do Programa
Rebimar, a maioria dos animais apresentou imunidade baixa e o estado atual é preocupante.

“A distribuição de patógenos [organismos que são capazes de causar doença] vem crescendo nos últimos anos e afetando a fauna”, disse.

A prevalência da fibropapilomatose – doença viral que afeta as tartarugas com múltiplas verrugas semelhante a herpes humana que pode até matar – cresceu de 24% para 66% neste ano. “Pode ter influência da água mais quente em março, pois nela a capacidade do vírus é maior, mas já temos a certeza que a problemática está aqui, eles não estão chegando doentes de outros lugares”, declarou.

Fora isso, foram constatadas várias lesões físicas, o que é característico de colisões dos animais com embarcações. Domit explica que o monitoramento feito por satélite com dezenas de tartarugas há alguns anos mostram que 70% delas estão passando de quatro a cinco meses no nosso litoral, em quatro pontos em especial: a Ilha do Mel e
Ilha das Cobras, no estuário de Paranaguá e na Ilha da Figueira e Arquipélago de Currais, em mar aberto.

Foto: Julio Bazanella / Associação MarBrasil

As tartarugas verdes – animais migratórios – tem 12 berços na região central e sul do Oceâneo Atlântico, como em ilhas próximas do Caribe, Fernando de Noronha e até ilhas mais próximas da África, como a britânica de Ascensão.

“Pelas análises iniciais já verificamos que elas vêm de 10 sítios de reprodução diferentes e são bem jovens, estão vindo se desenvolver cedo na costa brasileira. Ou seja, não adianta somente essas regiões de berçário trabalharem pela espécie se a gente não fizer nossa parte”, diz a bióloga.

Para Domit, a ação humana de forma cumulativa está afetando o litoral, desde a poluição química por efluentes, a sonora do porto e da dragagem, até a destruição da área
costeira.

Sentinela

Assim como o golfinho (boto), que é residente do litoral, a tartaruga é considera uma sentinela do meio ambiente. “Ambos nos mostram que a situação atual é de desequilíbrio. Primeiro fica evidente neles. É claro que boa parte das pessoas não depende exatamente dos mesmos recursos, mas as comunidades do litoral sim”, diz.

A bióloga diz que os animais já estão buscando outras formas de alimentos, de uso do ambiente e modificando seu parâmetros de saúde.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="514485" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]