Urbs anuncia a demissão de 156 funcionários

Mariana Ohde


Com Metro Curitiba

A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) vai reduzir seu quadro de funcionários em quase 12%. A empresa comunicou a demissão nesta segunda-feira (20) para todos os 156 funcionários aposentados na ativa. Ao todo, a Urbs tem 1.320 empregados.

Na reunião, a Urbs apresentou um plano de demissão incentivada (proposta de indenização) como alternativa. Quem não optar pela proposta, será desligado ainda neste ano. Segundo a Urbs, o enxugamento do quadro é uma medida para sanear as finanças, uma vez que a empresa tem déficit superior a R$ 2 milhões por mês, além de dívidas com a Copel e o INSS, que vêm se arrastando nos últimos anos.

A Urbs também informou que a decisão por demitir os aposentados na ativa foi para não gerar desemprego aos demais trabalhadores.

“Não aceitamos que eles sejam demitidos. A gente tem dúvida sobre as dificuldades financeiras da empresa, pois nunca apresentaram isso de forma cabal”, disse o o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização do Estado do Paraná (Sindiurbano-PR), Valdir Mestriner.

Outras medidas

Além das demissões, a Urbs pretende fazer outros cortes para o ano que vem, como o congelamento do anuênio, suspensão do plano de cargos e salários, fim do abono natalino (R$ 500 no vale-alimentação) e redução do vale alimentação, que hoje é de R$ 1.070 para R$ 725 a quem recebe até cinco salários mínimos e R$ 450 para quem ganha mais do que isso.

As propostas ainda estão sendo discutidas entre o sindicato da categoria e o Ministério Público do Trabalho (MPT).

Segundo Mestriner, as perspectiva são péssimas, mas o atual dissídio vale até agosto de 2018 e nenhum benefício poderia ser retirado até lá. Uma assembleia está marcada para às 18h de hoje na sede da APP-Sindicato.

Tarifa técnica

A Prefeitura anunciou, no dia 14 de novembro, o aumento da tarifa técnica de R$ 3,79 para R$ 4,06 – e garantiu que não haverá aumento para os passageiros. A tarifa técnica é o custo do transporte dividido pelo número de passageiros pagantes; ela representa o valor real por passageiro pago às empresas de ônibus.

Em fevereiro, a prefeitura aumentou a tarifa para pelos passageiros para R$ 4,25, com o objetivo de custear mudanças como a renovação da frota e prevendo o aumento da tarifa técnica. O Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC), para onde vão as receitas (passagens) do transporte e que remunera os pagamentos do sistema, atualmente, tem saldo de R$ 42 milhões.

Em janeiro de 2017 o saldo do FUC era negativo em R$ 5,7 milhões. O reajuste da tarifa de ônibus, em 6 de fevereiro de 2017, foi necessário, segundo a prefeitura, para o reequilíbrio, “tanto para renovar a frota como para pagar em dia o serviço de operação do transporte coletivo e acabar com as paralisações constantes no sistema”.

A Urbs afirma que o transporte coletivo de Curitiba não conta com subsídios, sendo a única fonte de receita a tarifa paga pelos passageiros.

Renovação da frota

Na ocasião, a prefeitura eo Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) assinaram um termo de ajuste de interesse público para a renovação da frota. O objetivo é comprar 150 ônibus novos por ano até 2020, chegando a um total de 450.

O ajuste deve acabar com uma disputa judicial, que, segundo a prefeitura, impedia a modernização do transporte há quatro anos. 23 ações judiciais das empresas contra a Urbs tramitavam na Justiça desde 2013, sob a justificativa de desequilíbrio financeiro do contrato, o que impedia a renovação, segundo a administração municipal.

“É uma medida de virtude a construção desse termo de ajuste para acabar com a disputa judicial que impede a modernização do transporte coletivo, reequilibrando a relação com os consórcios de empresas. A judicialização não faz bem ao serviço público e faz mal à população”, disse o prefeito Rafael Greca (PMN) no dia do anúncio.

Os primeiros novos ônibus serão 25 biarticulados que entrarão em operação em março de 2018. Os outros 125 ônibus serão entregues ao longo do próximo ano, conforme modelo e linhas a serem definidas pela Urbs com os gestores dos consórcios. O termo seguirá para avaliação e homologação da Justiça.

O termo de ajuste é entre Prefeitura, por meio da Urbs, e Setransp. Nele, a Urbs aceita ser facilitadora do acesso ao crédito pelas empresas para o financiamento dos novos veículos. No caso, a Urbs poderá bloquear o pagamento às empresas e transferir o dinheiro aos credores do financiamento.

No termo de ajuste, que será homologado pela Justiça, serão retiradas 23 ações, com exceção daquelas movidas pelas empresas metropolitanas, que não fazem parte do contrato com a Urbs e as da empresa Expresso Azul.

Frota

Atualmente, a frota de Curitiba em circulação é de 1.282 ônibus (frota operante). Existe ainda a frota reserva, totalizando 1.637 veículos. Desde 2013 não há renovação de ônibus, o que provocou um acúmulo de veículos vencidos, que poderia chegar a 660 ônibus da frota operante em 2020.

Com o termo de ajuste, deve haver renovação de quase 70% desse total (660 ônibus), segundo a prefeitura. A aquisição da frota é feita diretamente pelas empresas com os fabricantes de chassis e carrocerias. O investimento é amortizado pela Urbs no prazo de 10 anos, para os ônibus convencionais e 12, no caso dos biarticulados. No fim da vida útil essa frota é revertida ao município, que poderá leiloar os ônibus.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal