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Duas pessoas ficam feridas em ataque ao acampamento Lula Livre

Um ataque ao acampamento Lula Livre, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou duas pessoas feridas du..

Mariana Ohde - 28 de abril de 2018, 10:04

Foto: Lula Livre
Foto: Lula Livre

Um ataque ao acampamento Lula Livre, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixou duas pessoas feridas durante a madrugada deste sábado (18), no bairro Santa Cândida, em Curitiba.

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Segundo a organização do acampamento, duas pessoas ficaram feridas. Uma mulher teve feriamentos leves e um homem, que foi baleado no pescoço, foi encaminhado ao hospital em estado grave.

O ataque aconteceu por volta de 4h. O suspeito ainda não foi identificado. Ele teria disparado tiros contra os manifestantes acampados, ferindo as duas pessoas. Por volta de 7h, os manifestantes fecharam a Av. Mascarenha de Morais, próxima ao local, em protesto. Eles atearam fogo em pneus e mantiveram o bloqueio por cerca de meia hora.

Um boletim de ocorrência foi feito, segundo a organização.

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Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), a poucos metros do local, desde o dia 7 de abril. Ele cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão após ser condenado no caso do triplex do Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato. O acampamento foi montado no final de semana em que ele foi detido, no início de abril.

Caso será investigado

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) confirmou o ataque. "Segundo as primeiras informações, um indivíduo a pé efetuou disparos de arma de fogo contra o acampamento de manifestantes simpatizantes ao ex-presidente Lula. Uma pessoa foi ferida e levada para o hospital. Um tiro acertou um banheiro químico e os estilhaços feriram, sem gravidade, uma mulher no ombro", diz a nota.

Peritos da Polícia Cientifica do Paraná, policiais militares e da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, estiveram no local. Foram recolhidas cápsulas de pistola 9 mm. Foi aberto um inquérito para apurar o caso, segundo a Sesp.

O homem baleado, identificado como Jeferson Lima de Menezes, está na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Trabalhador. Segundo o último boletim, seu estado é instável e ele segue entubado.

Atentado à democracia

Também em nota, o Partido dos Trabalhadores (PT) classificou o ataque como "mais um episódio de violência política contra a democracia". O partido relembra o ataque à caravana do ex-presidente, realizada poucas semanas antes de sua prisão, quando tiros atingiram um dos ônibus. "Até agora não foram presos os autores dos disparos feitos no mês passado e tampouco os desta madrugada", diz o partido.

"Depois do golpe de Estado que derrubou a presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff, aumentaram os ataques e assassinatos contra lideranças sociais no campo e na cidade. E, junto, segue uma inaceitável omissão conivente das autoridades e da mídia golpista que silencia ante a barbárie crescente", diz a nota.

Segundo o partido, foram disparados 20 tiros contra o acampamento que recebeu o nome Marisa Letícia, em homenagem à mulher do ex-presidente.

Investigações rápidas e segurança garantida

A vigília Lula Livre e organizações que mantêm o acampamento repudiaram o ataque. Eles lembram outros ataques ocorridos após a mudança do acampamento e exigem policiamento e apoio de viaturas.

“Nós desmanchamos o acampamento cumprindo ordem oficial. Fizemos a opção de ir para um terreno e seria garantida a segurança. Agora o que cobramos da Secretaria de Segurança Pública é investigação, que identifique o atirador”, enfatiza Dr Rosinha, presidente do PT estadual e integrante da coordenação da vigília.

Segundo Dr. Rosinha, nesta manhã, em reunião com as autoridades, foram acordados três pontos: a segurança garantida no dia a dia do acampamento, a celeridade das investigações sobre o atentado deste sábado e a segurança para os atos do dia 1º de maio.

Ainda segundo o presidente, já foi feita uma perícia técnica pela manhã e depoimentos devem ser colhidos durante esta tarde. "Pedimos que a investigação e conclusão fossem feitas o mais rápido possível", ressaltou. Foram colhidas as capsulas da arma 9 mm e as imagens de câmeras de segurança devem ser analisadas.

Sobre os atos do Dia do Trabalhador, Dr. Rosinha afirma que é possível que cerca de 20 mil pessoas participem das manifestações e que a PM e a Polícia Civil tem experiência na cobertura de grandes eventos, o que deve garantir a segurança.

Ele também ressalta a necessidade de uma investigação rápida. "Acho que hoje é preeminente para nós e eles a identificação de quem fez a tentativa de homicídio. Porque os olhares do Brasil e do mundo estão voltados para Curitiba. Temos um ex-presidente na Polícia Federal", disse. Segundo ele, para a Sesp, é "importante mostrar que há segurança".

Segundo Regina Cruz, presidente da CUT Curitiba, a segurança no acampamento deve ser reforçada, com câmeras de segurança que captam imagens, inclusive, à noite. Ainda segundo ela, os organizadores estão acompanhando os carros que costumam circular pela região e suas informações serão repassadas às autoridades.