72% dos gases de efeito estufa de Curitiba são do transporte

Narley Resende


A emissão de 72% dos gases causadores do efeito estufa em Curitiba é resultado da queima de combustíveis de veículos. O índice foi divulgado nessa segunda-feira (23), em uma pesquisa da prefeitura, em parceria com a ONU. Os dados usados no trabalho foram coletados entre os anos de 2012 e 2013. Foram analisados nesta pesquisa a energia consumida, o transporte, os resíduos, os processos industriais e o uso do solo. O aumento da emissão de gases poluentes por conta da circulação de carros aumenta em uma escala maior do que o aumento da população.

Em 2013, Curitiba emitiu 4.125.853 toneladas de CO2. No ano anterior, as emissões contabilizaram 3.656.358 toneladas de CO2. Nos dois períodos, o transporte foi o principal componente emissor, ficando em 75% e 72% respectivamente, seguido de energia estacionária, com 11% e 13%, e resíduos, com 14% e 15%.

Por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a prefeitura divulgou na tarde desta segunda-feira (23) os inventários de emissão dos Gases do Efeito Estufa (GEE) dos anos de 2012 e 2013 durante reunião do Fórum Curitiba sobre Mudanças do Clima. Os inventários são produzidos em parceria com a entidade Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), ONU-Habitat e financiados pela Comissão Europeia, dentro do Projeto Promovendo Estratégias de Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono em Economias Emergentes (Urban Leds).

O objetivo do Urban Leds é de apoiar a promoção do desenvolvimento urbano inclusivo de baixa emissão de carbono em economias em desenvolvimento. No Brasil, além de Curitiba, participam do projeto Fortaleza, Recife, Betim, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Sorocaba.

Guia

O projeto desenvolveu uma metodologia específica denominada Green Climate Cities e um dos seus passos é a elaboração do inventário de gases de efeito estufa realizado com base no Protocolo Global para Inventário de Comunidades e Cidades (GPC).

“Este é o segundo e terceiro inventários de emissões de gases de efeito estufa da cidade de Curitiba e servirá como guia de ações estratégicas futuras para promover o desenvolvimento de baixo carbono em diversos setores da economia, contribuindo com a meta nacional de redução seja alcançada conforme pacto realizado na 21ª Conferência, realizada em Paris”, afirmou o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet.

Conforme pactuado na 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), as nações deverão se esforçar para manter o aquecimento global em menos de 2ºC, tendo como meta 1,5ºC até o final do século 21. “O acordo reconhece os governos locais como atores chaves na implementação de ações transformadoras e efetivas no combate aos impactos das mudanças climáticas, conforme Curitiba já vem realizando”, explica o secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Lima.

Setores

Para a realização do inventário, as emissões foram classificadas seguindo seis setores e seus respectivos subsetores: transporte (terrestre, ferroviário, hidroviário, aviação, off-road ), resíduos (sólidos, incineração, tratamentos biológicos e tratamento de efluentes líquidos), energia estacionária (residenciais, comerciais e institucionais, indústria de manufatura e construção, indústria de energia, emissões do sistema óleo e gás natural, mineração e outros), processos industriais e usos de produtos e outros escopos.

O aumento das emissões de GEE entre 2012 e 2013 deve-se em grande parte a um significativo crescimento nos fatores de emissão energia estacionária relacionados ao aumento da utilização de termoelétricas. “Em Curitiba houve uma variação de mais de 32,54% no setor de energia estacionária, 26% nos resíduos e 7,6% no transporte.  Em 2013 a média nacional anual do fator de emissão aumentou em 30% se comparado a média nacional de 2012, também puxado pela utilização de termelétricas”, complementa Lima.

Os curitibanos, per capita, emitem 2,2 ton CO2, enquanto a média brasileira é de 7,8 ton CO2 conforme dados divulgados pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. Nos Estados Unidos, a média sobe para 17,4 ton CO2; na China, 7,1 ton e na União Europeia, 6,8 ton, conforme dados divulgados durante a COP21.

“Esses dados comprovam que Curitiba está no caminho certo, valorizando novos modais, fortalecendo o transporte público, desestimulando o transporte individual e investindo muito na conservação de áreas verdes”, salienta o prefeito Gustavo Fruet.

Plano de ação

Durante a reunião do Forum, o superintendente de obras e serviços da SMMA, engenheiro florestal Alfredo Trindade, entregou para o prefeito Gustavo Fruet a publicação “Curitiba ações estratégicas: clima e resiliência”.

Ainda durante o evento, Fruet assinou o Decreto nº498 que atualiza a composição do fórum e estabelece a estratégia do município para as ações sobre a mudança do clima e resiliência.

A estratégia prevê ações de médio e longo prazo que fundamentarão de forma técnica e científica as bases do Plano Municipal de Resiliência, Mitigação e Adaptação as Mudanças Climáticas que após amplo debate com a sociedade, pela realização de audiências públicas, será transformado em Projeto de Lei a ser apreciado pela Câmara Municipal de Curitiba.

“A Estratégia de Curitiba utiliza como conceitos norteadores o desenvolvimento sustentável e a busca da harmonia das atividades do homem com o funcionamento dos sistemas naturais e, desta forma, privilegia a valorização das unidades de conservação, redução-reuso e reciclagem de resíduos, economia e fontes alternativas de energia, a recuperação de áreas degradadas e a renaturalização de rios”, afirma Lima.

Como ações estratégicas ainda constam a atualização periódica do inventário, definição das metas de redução da emissão de gases de efeito estufa para o Município e a sua revisão periódica, contínua elaboração e revisão dos mapas de risco para os principais processos naturais perigosos, incluindo estudos de risco associado a inundações para todas as bacias hidrográficas da cidade, estudos de risco associado a movimentos de massa gravitacionais para as áreas mais favoráveis a este processo perigoso, constante melhoria e evolução do sistema de alerta para desastres naturais e para acidentes ambientais.

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