Incêndio em apartamento em Curitiba foi proposital, diz polícia

Mariana Ohde


Com CBN Curitiba e BandNews Curitiba

O incêndio que atingiu um prédio no bairro Bigorrilho, em Curitiba, nesta quarta-feira (8), foi proposital. Segundo informações levantadas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o fogo teria sido causado por João Paulo de Gracia Corrêa, que morreu após se jogar da janela do apartamento antes de os bombeiros chegarem ao local.

Segundo o delegado Fábio Amaro, João Paulo teria deixado o registro de gás aberto e colocado fitas nas portas e janelas do imóvel, para vedação. “No local do incêndio, foi detectado um bico de gás aberto. O incêndio teria sido provocado”, explica o delegado, que afirma que as suspeitas foram reforçadas após o depoimento do irmão de João Paulo, Marcelo José de Gracia Correa, que estava no apartamento e foi resgatado pelos bombeiros. Ele teve ferimentos leves e segue internado no Hospital Evangélico.

“Ele [João Paulo] teria, na noite do fato, deixado o gás aberto e vedado todas as saídas que o apartamento possuía de oxigênio, janelas e portas, para que houvesse a morte de ambos, por asfixia ou explosão”, conta o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, o incêndio começou nos quartos do apartamento. Como João Paulo teria visto que o incêndio não tomaria grandes proporções, resolveu pular pela janela. “A vítima sobrevivente, o Marcelo, se trancou dentro do banheiro”, explica. “O João Paulo, vendo que o incêndio não se expandiu, e enxergando o Corpo de Bombeiros, acabou se jogando pela janela”.

O ato teria sido motivado por dificuldades financeiras, segundo o delegado. “Foi isso que ele [Marcelo] nos relatou no hospital. Obviamente, temos outras informações a respeito da possível motivação dessa tentativa de homicídio seguido de suicídio e todas essas indicativas estarão elencadas no inquérito policial”, explica.

O delegado Fábio Amaro disse, ainda, que as investigações continuam e que as informações prestadas por Marcelo serão totalmente esclarecidas. “Isso tudo será devidamente esclarecido no inquérito policial, que já foi instaurado”, esclarece. A polícia, por enquanto, considera o caso como tentativa de homicídio seguida de suicídio.

Os dois irmãos moravam sozinhos no apartamento.

O caso

O incêndio começou no 15º andar, por volta das 5h, e as chamas foram controladas cerca de uma hora depois. A Rua Padre Agostinho foi bloqueada, próximo à Rua Francisco Rocha. O trânsito foi liberado por volta das 9h.

Com a força das explosões, a esquadria de uma das janelas vou a uma distância de aproximadamente 50 metros, caiu em cima de uma lavanderia do outro lado da quadra. No estacionamento de uma panificadora que fica ao lado, há estilhaços e a chaminé do aquecedor a gás do apartamento.

Moradores relataram que ouviram uma explosão e, logo em seguida, avistaram o fogo. Eles foram retirados do prédio pelo Corpo de Bombeiros. “A gente estava dormindo e houve uma explosão forte”, conta a moradora Alma Passos de Melo. Ela conta que olhou pela janela e que moradores de prédios vizinhos gritavam que havia fogo no imóvel em que ela mora.

André Bagatin, síndico do prédio, conta que ouviu duas explosões. “Desci, vi que já tinha labaredas lá em cima. Foi fechada a central de gás e desligada a energia do prédio. Nesse momento, começaram a chegar as pessoas para fazer os devidos atendimentos, ambulâncias, Corpo de Bombeiros”, conta.

André Bagatin tem treinamento de brigadista de incêndio e auxiliou os moradores. Os 18 bombeiros que trabalharam para conter o incêndio usaram 40 mil litros de água.

Foto: Narley Resende

Foto: Narley Resende

Investigação

Por volta das 10h, engenheiros da Comissão de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosed), da Defesa Civil, concluíram uma vistoria no prédio para que os moradores pudessem voltar aos apartamentos.

Com os imóveis encharcados, sujos de fuligem e com cheiro de fumaça, os moradores começaram a voltar às residências por volta das 11h. O encanamento do 15º andar se rompeu, o que aumentou o alagamento nos demais andares.

Policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa ouviram testemunhas e realizaram uma perícia no local. Foram encontrados vestígios de fitas coladas nas bordas de duas portas do apartamento incendiado.

O zelador relatou que havia sentido cheiro de gás no dia anterior e que avisou o morador. O proprietário teria dito que providenciaria o conserto. Porém, não há registro de vistoria recente de empresa especializada.

Vizinhos contaram que o apartamento dos irmão, onde eles moravam há mais de 20 anos, havia sido reformado recentemente e estava em excelente estado.

Solidariedade

Ângela Camargo, que é síndica do prédio em frente, conta que os moradores acolheram os vizinhos. “Eu acabei abrindo o edifício para que esse pessoal ficasse protegido”.

“O próprio pessoal do prédio forneceu água, fez café. O pessoal da panificadora em frente trouxe algumas coisas, para serem solidários com os moradores”, conta.

Fátima Regina Cazella, que trabalha na panificadora, chegou mais cedo no local após ser avisada sobre a ocorrência. “Meus funcionários, na hora que escutaram a explosão, entraram no edifício para ajudar o pessoal a sair”, afirma.

A panificadora funciona há 33 no local e os funcionários são conhecidos dos moradores, segundo Fátima. “A gente fez um sanduichinho para eles, um pãozinho de queijo. A vizinha já tinha feito café, a gente levou mais. Nessa hora, a gente tem que ser solidário”, afirma.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal