Com repasses atrasados, hospital negocia com médicos e fornecedores para manter atendimento

Mariana Ohde

Em grave crise financeira e sob intervenção judicial desde 2014, o Hospital Evangélico, em Curitiba, cobra, da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, um repasse de R$ 2,16 milhões. O pagamento, referente a procedimentos realizados em novembro de dezembro do ano passado, deveria ter sido feito até o dia 20 de janeiro.

Sem o dinheiro, a direção do hospital afirma que tem sido obrigada a rolar dívidas com fornecedores e médicos para seguir aberto. “Estamos no limite”, diz Ladislau Zavadil Neto, administrador judicial do hospital, que atende até 30 mil pacientes por mês. Cerca de 95% dos atendimentos são feitos via SUS, inclusive os de alta complexidade, como tratamento de queimados, onde o hospital é referência nacional.

Segundo o hospital, o atendimento só não foi suspenso porque os representantes nomeados pela Justiça do Trabalho para administrar o hospital negociam com médicos e fornecedores a manutenção do atendimento ao público e a continuidade de entrega do material e medicamentos disponíveis.

Para o Evangélico, a verba deveria ter sido repassada pela Secretaria Municipal de Saúde, mas a prefeitura, procurada pelo Metro Jornal, afirma que os recursos são relativos ao Fundo de Ações Estratégica e Compensação (FAEC), que são quitados após repasse do Ministério da Saúde.


A Secretaria diz que ainda não recebeu do governo federal.

“Assim que forem creditados ao município, os valores serão repassados ao prestador. Em janeiro, a Secretaria Municipal da Saúde repassou à instituição R$ 8.518.617,24, em relação aos serviços contratualizados”, diz a prefeitura em nota.

Situação delicada

O Evangélico, que também congrega o Plano de Saqúde do Hospital e a Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEPAR), sofreram intervenção da 9a. Vara da Justiça do Trabalho, em dezembro de 2014, após uma série de denúncias de má-gestão.

O hospital responde a ações trabalhistas, além de cobrança de credores bancários e tributários. A dívida está sendo apurada (a estimativa é de que seja de R$ 400 milhões). A Justiça do Trabalho estuda, entre as possibilidades para sanar os débitos, o leilão de todo o complexo, segundo o hospital.

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