Alunos decidem desocupar Colégio Estadual do Paraná

Roger Pereira


Reunidos em Assembleia na noite desta sexta-feira, os estudantes que ocupam o Colégio Estadual do Paraná decidiram recusar a proposta de acordo encaminhada pela Procuradoria-Geral do Estado, Ministério Público Estadual, e Defensoria Pública do Estado do Paraná para a desocupação pacífica de 24 das 25 escolas com ordem para reintegração de posse já expedida pela Justiça, permitindo-se a manutenção, por 10 dias, da ocupação justamente no Colégio Estadual do Paraná. Com a decisão, os estudantes informaram que desocuparam o colégio, a maior escola pública do estado, no prazo de 24 horas da notificação da ordem de reintegração, entregue a eles às 16h30 desta sexta-feira.

“Decidimos que nós iremos desocupar o colégio, no sentido de respeitar a horizontalidade, do processo, não queremos ser protagonistas. Não vamos ficar como nome principal, todos os colégios que estão ocupados têm a mesma representatividade, não queremos ficar por cima de ninguém”, diz o comunicado dos alunos.

Sem se identificarem para também não assumirem protagonismo diante do movimento, três alunos comunicaram a decisão na madrugada deste sábado e entregaram a ata da assembleia dos estudantes para a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogado do Brasil, que iria protocolá-la no plantão judiciário.

“A proposta que nos foi mostrada fere os princípios básicos do movimento estudantil, porque nosso movimento é horizontal e qualquer decisão que venha a ser tomada tem que ser feita com a consulta a todos os alunos envolvidos. Não é uma decisão a partir de partido político ou movimento social, é uma decisão feita pelos próprios alunos, e essa proposta fere esse princípio”, declarou um dos alunos

“Nossa decisão foi tomada em assembleia horizontal, em que decidimos que não vamos apoiar por nenhum segundo essa proposta de desocupar os outros 24 colégios e tirar o valor da luta deles e das motivações que eles têm, para trazê-los para cá e impor a eles a nossa representação”, acrescentou o outro estudante.

Com a desocupação, o movimento promete ocupar as ruas. “É uma luta histórica, maior série de ocupações do mundo. A gente sabe que não será para sempre, e, na rua, a gente vai dar muito mais trabalho. Não é fácil estar em uma ocupação, mas a gente está aqui pela educação brasileira e vai resistir, enquanto a MP (da reforma do ensino médio) e a PEC (do teto de gastos) estiverem de pé”, concluiu o terceiro integrante do movimento.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal