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Após acidente na BR-277, Federação Paranaense de Triathlon pede justiça e atenção ao caso

Após o acidente fatal que vitimou o triatleta Eduardo Antonio no sábado (8), a Federação Paranaense de Triathlon anuncio..

Mariana Ohde - 11 de outubro de 2016, 09:10

Após o acidente fatal que vitimou o triatleta Eduardo Antonio no sábado (8), a Federação Paranaense de Triathlon anunciou o início de uma campanha de conscientização para proteger os ciclistas, atletas profissionais e moradores que usam as estradas para se locomover.

Eduardo foi atingido por um motorista embriagado quando voltava de um treino, em frente à Academia Militar do Guatupê, na pista sentido Curitiba. O motorista que atingiu o grupo, parou o veículo, mas não prestou socorro às vítimas. O exame do bafômetro indicou 0,5 mg/L de álcool no sangue, quantidade acima da permitida. Ele foi preso, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), e permanece à disposição da justiça na Delegacia de São José dos Pinhais.

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Além de Eduardo, José Antônio Schamne e Henrique Adamczyk foram atingidos pelo carro. Todos estão fora de risco.

Segundo a Federação, de acordo com as testemunhas que já prestaram depoimentos, o motorista conduzia o veículo a uma velocidade de 100 km/h e atropelou os ciclistas no acostamento. Ainda segundo a instituição, que organizou uma coletiva de imprensa neste terça-feira (11), casos como este precisam de atenção, pois a impunidade é comum.

"Eles matam, mas têm recursos financeiros, pagam a fiança e saem. São assassinos confessos", lamenta o presidente da Federação, Luiz Iran Guimarães.

Um dos objetivos da mobilização organizada pela Federação é cobrar das autoridades competentes e da Ecovia, concessionária que administra o trecho da BR-277 onde aconteceu o acidente, uma melhor fiscalização, a instalação de redutores de velocidade e câmeras, para não apenas diminuir o número de acidentes, mas também garantir que casos como o e Eduardo não acabem impunes. Segundo a Federação, desde o início do ano, já foram registrados cerca de 150 acidentes e 19 mortes.

Também será feito um trabalho de conscientização, que deve focar no desenvolvimento de campanhas constantes, desde as escolas. Também está prevista uma bicicletada no dia 22 de outubro, com todos os praticantes do esporte.

"Nosso objetivo é fomentar o esporte. Houve um acréscimo muito grande de praticantes de ciclismo, triathlon e pessoas que utilizam a estrada por lazer, trabalhadores que utilizam para se locomover", explica. "Nós queremos uma melhor convivência entre ciclistas e motoristas. Aquela pessoa pode ser seu pai, filho, uma pessoa conhecida", afirma, ressaltando a importância do cuidado - que deve partir dos dois lados. Segundo Iran, ao mesmo tempo em que motoristas precisam dirigir de forma mais responsável, ciclistas também devem usar a via com cuidado. "Existem também os maus ciclistas, que não usam o equipamento de segurança, pegam vácuo nos caminhões", lamenta.

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Por isso, as ações serão voltadas para ambos os públicos e com atenção especial para a BR-277, nos trechos até Paranaguá e Ponta Grossa, onde o número de ciclistas é maior. Mas o cuidado se estende a todas as rodovias.

Locais seguros para treinar

Em Curitiba e região, são poucos os locais que oferecem infraestrutura para os treinos e segurança, ao mesmo tempo. Iran cita o Velódromo de Curitiba e o Autódromo. "No Autódromo podemos pedalar entre 6h e 8h, às vezes nos finais de semana", conta, lembrando que os horários de treinamento variam de acordo com a programação de eventos do local. Segundo Iran, os proprietários do local aceitam bem a presença dos ciclistas, que devem sempre treinar com os equipamentos de segurança.

A Federação também estuda a construção de um centro de treinamento até 2020. A pista teria cerca de 5 km, mas ainda depende de apoio da iniciativa privada e do governo do estado para sair do papel, além de uma área disponível para a construção.

Assaltos constantes

Além dos acidentes, os ciclistas também convivem com assaltos constantes nas estradas - o que afeta, também, outros locais de treinamento que seriam, a princípio, mais seguros. Um exemplo é o Parque Náutico, onde os ciclistas podem realizar circuitos de cerca de 10 km - mas correm o risco de ficar sem o equipamento, segundo Iran. "Nós tiramos eles de um risco para colocar em outro", lamenta.

Pesquisa

Um levantamento recente da Arteris, concessionária que administra 21 rodovias brasileiras, apontou que os atropelamentos são responsáveis por 32% das vítimas em estradas de São Paulo, Rio, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. A pesquisa analisou 19.164 acidentes registrados entre janeiro e julho, com 361 mortos.

As principais vítimas são pedestres (28%) e ciclistas (4%) que não estão montados na bicicleta no momento da colisão. Se o ciclista estiver pedalando, o acidente passa a ser classificado como "colisão traseira". Esse é o segundo tipo mais letal de acidente, com 16% das mortes.

Legislação

A circulação de bicicletas é permita pelo Código de Trânsito Brasileiro na "ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento". Segundo o artigo 58, "Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores". As rodovias são consideradas estradas rurais no Código, conforme o artigo 60, inciso II, alínea a.