Após um mês, manifestantes deixam sede do Iphan em Curitiba

Andreza Rossini


O acampamento dos manifestantes que ocuparam a sede do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Curitiba, é desmontado nesta segunda-feira (20). O protesto contra a decisão do presidente interino Michel Temer de extinguir o Ministério da Cultura (Minc) começou há cerca de 40 dias, no dia 13 de maio, quando a medida foi anunciada pelo governo. Os manifestantes alegam que são contra o golpe e pedem a saída de Temer do governo.

O Iphan é responsável pelo patrimônio cultural do país realiza estudos e pesquisas na área de preservação do patrimônio cultural e responde por obras de restauração e fiscalização de bens tombados e sítios arqueológicos, por exemplos. A recriação do Ministério da Cultura (Minc) foi anunciada no dia 21 de maio. O Minc havia sido transformado em secretaria e provocado protestos em 21 capitais.

De acordo com os produtores culturais que realizavam a ocupação em Curitiba, a medida deve ser substituída por outras ações.

Confira a nota na íntegra: 

AOS FAZEDORXS DAS CULTURAS E ARTES
Pouco mais de um mês após ocuparmos a sede do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) em Curitiba, espaço até então pouco conhecido pela maioria da população, podemos afirmar seguramente que a resistência das Culturas e Artes surpreendeu o golpe, as esquerdas e o próprio campo da imaginação. A ação proposta e materializada pelo Movimento Cultura Resiste contribuiu para o despertar dxs fazedorxs rumo à ação, ocupando espaços do Ministério da Cultura (MinC) por todo país com formação política, atuação contínua e criação de espaços de síntese.
O Movimento nasceu ainda no governo Dilma, quando em razão da Reforma Ministerial, o mesmo sinalizou a extinção do MinC, agregando diferentes agentes artístico-político- culturais dispostxs à defesa das Políticas Culturais. Quando Michel Temer tomou o poder por assalto, o Movimento articulou uma ação tática imediata em resposta ao já anunciado fim do MinC e aos outros retrocessos postos na agenda do golpe. Ocupamos em apenas sete, mas dentro de algumas horas fazedorxs das Culturas e Artes de Curitiba aderiram à ocupação e logo se integraram à construção coletiva, plural e democrática de resistência. Dentro de poucos dias, dezenas de outras ocupações se espalharam por todos os cantos do país fazendo o governo recuar da extinção do Ministério.  
A ocupação do IPHAN em Curitiba tornou-se espaço de referência na resistência da diversidade, agregou as mais diversas pautas, contribuiu nas diferentes lutas e articulou com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e demais organizações dispostas a unidade de luta contra o golpe. Desde o início temos clareza absoluta de que a ocupação nada mais é que uma das ações táticas de resistência à ofensiva reacionária, valendo-se da organização do campo da imaginação, mas com amplitude para articulação de demais espaços de atuação militante. A dinâmica diária da ocupação consome energia, organização e tempo da nossa militância, e enquanto o espaço irradiava lutas, agregava uma base plural e servia de formação política contínua, o movimento girou quase todos os seus esforços para o fortalecimento da estrutura da ocupação. Nos últimos dias, compreendendo o inevitável isolacionismo espacial e político da ocupação, entendendo que esta é uma ação tática e não uma conquista de terreno, e acima de tudo, tensionados pela necessidade de construção de outras ações, o Movimento Cultura Resiste optou por concentrar seus esforços na articulação de novas frentes e na construção de novas ações táticas, portanto, nos retirando da Ocupação do IPHAN Curitiba, mas seguindo como um ponto de articulação, uma vez que a própria Superintendência já colocou o espaço à disposição para outras atividades artística-política-culturais, ou seja, a gente sai mas deixa a porta aberta para a sociedade usufruir  e ocupar a programação deste local. Ao mesmo tempo nos solidarizamos à luta contra a recém criada Secretaria Especial de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SEPHAN) do MinC e defendemos a autonomia do IPHAN no que tange as Políticas de, para e com os bens materiais e imateriais da nação.
Por questões de segurança, não revelaremos os próximos passos do Movimento, mas temos certeza que a ampliação da luta é tarefa central e imediata, e por isso sabemos que os demais setores que constroem a ocupação entenderão nossa posição. O imobilismo não pode derrubar um acúmulo tão poderoso construído no último período. Estamos do mesmo lado, pois somos aquelxs que nunca escolheram o caminho fácil da história, mas neste momento é tempo de ação imediata para reconstruir nossa capacidade de intervenção na realidade.
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