Carli Filho chega ao Tribunal sob gritos de “assassino”

Jordana Martinez


Foto: Daniel Derevecki
Foto: Daniel Derevecki

Fernando Garcel, Andreza Rossini e Jordana Martinez

O ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho chegou ao Tribunal do Júri, em Curitiba, pouco antes das 13hs. Ao entrar no estacionamento, ainda dentro do carro, passou ao lado de Christiane Yared, mãe de uma das vítimas, que estava conversando com jornalistas e desabou em prantos.

Carli Filho foi escoltado pela polícia, que não permitiu a aproximação dos jornalistas, e entrou pela porta lateral do tribunal.

A audiência começou 13h20 e é um dos julgamentos mais esperados da história do Paraná.  Acontece quase nove anos depois do acidente que matou Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, em 2009.

Antes do sorteio dos jurados, a defesa do ex-deputado apresentou embargos sobre o laudo de alcoolimia que constava nos autos do processo. De acordo com os advogados, a prova que aponta a embriaguez de Carli Filho no dia do acidente foi coletada de forma ilegal. Instâncias superiores já haviam concordado com o entendimento e determinado que a informação fosse suprimida dos autos, o que não ocorreu.

O juiz responsável pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Daniel Surdi de Avelar, seguiu o entendimento das instâncias superiores e declarou que os jurados não devem levar a informação do laudo em consideração durante o julgamento.

Sete jurados foram selecionados entre um grupo de 45 cidadãos. São cinco mulheres e dois homens. Todos jovens. A identidade deles é protegida pela Justiça.

O juri popular vai decidir se o ex-deputado assumiu, ou não, o risco de matar ao conduzir um Passat blindado a mais 160 km/h, com a carteira cassada, depois de ingerir quatro garrafas de vinho junto com amigos.

Foto: Daniel Deverick
Foto: Daniel Deverick

Relembre o caso

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.  Uma perícia contratada pela família de uma das vítimas afirma que as câmeras de segurança do local do acidente foram adulteradas.

Carli Filho foi eleito deputado em 2006, com 46 mil votos, quando tinha 23 anos de idade. Recebeu mais de 46 mil votos, cerca de 37 mil deles na cidade onde o pai era prefeito. Se for condenado por duplo homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão.

“Difícil de engolir”, desabafa Christiane Yared

Passo-a-passo do julgamento

• Escolha do júri
O tribunal convocou 45 cidadãos, mas só sete serão sorteados para compor o júri.

• Testemunhas
Ambas as partes vão poder interrogar as testemunhas de acusação e de defesa.

• Acusado
É a vez de o júri ouvir Carli Filho, mas ele não é obrigado a comparecer

• Debates orais
Acusação e defesa falam por 1h30 cada e, se quiserem, há uma réplica e tréplica com 1h cada.

• Veredicto
Os jurados se reúnem em uma sala secreta, votam por cédulas e o juiz anuncia a sentença

 

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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