“Assumiu o risco de matar”, decide juri popular

Jordana Martinez


Fernando Garcel e Jordana Martinez

Quase nove anos depois do crime, sai a sentença de um dos julgamentos mais esperados da história do Paraná. Carli Filho é condenado a nove anos e quatro meses de reclusão em regime fechado por duplo homicídio com dolo eventual.

O juri popular formado por sete pessoas comuns, cinco mulheres e dois homens, considerou que o ex-deputado Carli Filho assumiu o risco de matar ao dirigir bêbado, em alta velocidade e com a carteira vencida, em 2009, quando provocou a morte de Carlos Murilo de Almeida, 19, e Gilmar Rafael Yared, 26 anos, em 2009.

A defesa pedia a condenação por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Depois da fase de debates entre acusação e defesa, os jurados responderam a oito perguntas formuladas pelo juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar definiu a pena.

Mesmo com a condenação em primeira instância, Carli Filho tem o direito de recorrer em liberdade. A defesa tem cinco dias para apelar da decisão.

Minutos antes da divulgação da avaliação do juri popular, a deputada Cristiane Yared , mãe de Rafael Yared, desabafou:

“Não estamos lidando com qualquer família. Eles são extremamente influentes”.

Relembre o caso

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.  Uma perícia contratada pela família de uma das vítimas afirma que as câmeras de segurança do local do acidente foram adulteradas.

Luiz Fernando Ribas Carli Filho

Eleito deputado estadual aos 23 anos em 2006, sob o nome do pai – o ex-deputado federal Fernando Ribas Carli -, Carli Filho deixou a política logo após a tragédia. Hoje, vive recluso em Guarapuava, na região central do Paraná, reduto político da família.

Logo após o acidente – que matou os dois jovens na hora e deixou Carli Filho hospitalizado por um mês – as circunstâncias começaram a pesar contra o ex-deputado: ele estava com a carteira de motorista suspensa, com 130 pontos e 30 multas, das quais 23 por excesso de velocidade.

Engajamento de Cristiane Yared

Após a morte do filho, Cristiane Yared criou o Instituto Paz no Trânsito, que busca exigir fiscalização e punição para os envolvidos em crimes de trânsito. O objetivo também é lutar para diminuir as tragédias em que há envolvimento de veículos, principalmente com o agravante de irresponsabilidade ao volante.

Agência Câmara

Agência Câmara

Em 2014, Cristiane Yared foi a candidata mais votada ao cargo de deputada federal do Paraná, com mais de 200 mil votos.

Eleição de Christiane Yared volta a ser argumento da defesa de Carli Filho

“Eu agradeço a Deus pela vida do Rafael, porque ele realmente foi inspiração na minha vida. Houve um propósito para tudo que aconteceu. Juntos, acreditando que não foi em vão essa morte, porque é um filho realmente, plantado, não, enterrado”, diz Christiane.

 

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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