Carli Filho pede para deixar sala de audiência após ouvir sobre vítima decapitada

Fernando Garcel


O ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho pediu para deixar o plenário do Tribunal do Júri no início da noite desta terça-feira (27). O pedido ocorreu após a declaração do perito contratado pela defesa, Ventura Raphael Martello Filho, sobre a decapitação de uma das vítimas.

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Segundo Martello Filho, a perícia apontou que seria impossível que o carro do ex-deputado decolasse e atingisse o automóvel das vítimas por cima. Ele apresentou fotos da parte inferior do veículo. “Não tem vestígios técnicos de que esse carro teria saído do solo e caído em cima do outro”, declarou.

Ele continuou na argumentação sobre o carro não ter decolado e afirmou que “não há nenhum indício de que o Passat de Carli teria decapitado uma das vítimas (Gilmar Rafael Yared)”. Nesse momento, com a mão no peito, Carli Filho pediu para deixar a sala de audiência.

O juiz responsável pela 2ª Vara do Tribunal do Júri, Daniel Surdi de Avelar, suspendeu a sessão por 10 minutos.

“Torcida organizada”

No retorno, o promotor Marcelo Balzer declarou que, apesar de não ter a formação técnica, tem ética, e recebeu aplausos de parte do público que acompanha o julgamento. Na réplica, o perito questionou o promotor e outra parte, favorável a Carli Filho, reagiu com aplausos.

O magistrado que conduz a audiência declarou que irá esvaziar o plenário caso ocorra uma nova manifestação de “torcida organizada”.

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Relembre o caso

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.  Uma perícia contratada pela família de uma das vítimas afirma que as câmeras de segurança do local do acidente foram adulteradas.

Carli Filho foi eleito deputado em 2006, com 46 mil votos, quando tinha 23 anos de idade. Recebeu mais de 46 mil votos, cerca de 37 mil deles na cidade onde o pai era prefeito. Se for condenado por duplo homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão.

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