Carro decolou ou não? Guerra de peritos pode definir resultado

Jordana Martinez


Fernando Garcel e Jordana Martinez

Dois lados, duas verdades subjetivas e até documentos periciais que, em tese, teriam mais objetividade, apontam para versões diferentes do que teria acontecido na madrugada do dia sete de maio de 2009, em Curitiba, quando o ex-deputado Carli Filho, bêbado, com a carteira cassada e em alta velocidade, provocou a morte de dois jovens em Curitiba.

No primeiro dia de julgamento, nesta terça-feira (28), o perito particular contratado pela defesa, Ventura Rafael Martello Filho, criticou o trabalho do Instituto de Criminalística de Curitiba e afirmou que o carro em que estava o ex-deputado em nenhum momento deixou de tocar o solo.

Uma simulação feita pelo Instituto Mauá em um carro idêntico ao usado pelo ex-deputado, mostraria, segundo o perito, que a velocidade máxima que o carro poderia atingir no trecho percorrido seria de 136 km/h. Além disso, fotos da parte inferior do carro que diz que é impossível que o carro tenha decolado e atingido por cima o carro das vítimas.

“Não tem vestígios técnicos de que esse carro teria saído do solo e caído em cima do outro”.

Nesta quarta-feira (28), o promotor Paulo Markorwicz de Lima questionou o laudo da perícia contratada pela defesa que desqualificou o trabalho do Instituto de Criminalística. E afirmou que é inquestionável o fato de que o carro de Carli Filho arrancou o teto do outro veículo e decapitou as vítimas.

“O local dos fatos foi preservado pela Polícia Militar. Consta no final do boletim de ocorrência do Corpo de Bombeiros que ‘as duas vítimas em óbito no local só foram retirados das ferragens após chegada da perícia’”, disse. “O pneu traseiro está íntegro. Os pneus da frente estavam estourados, assim como o teto. […] Esse é um fato importante… Eu não vou mostrar novamente, para preservar às famílias, a foto do Gilmar decapitado. Mas consta nos autos”, argumentou.

Crime culposo ou com dolo eventual?

A acusação sustenta que o ex-deputado seja condenado por duplo homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Neste caso, a pena máxima prevista é de 20 anos de prisão.
“A culpa consciente ocorre quando o culpado confia nas suas habilidades. O Carli não era piloto de prova. É um crime mais grave, que merece um tratamento, não é um crime culposo [quando não há intenção de matar]”, disse.

Já de acordo com o advogado da defesa, Alessandro Silvério, o caso apresenta culpa de ambas as partes. A estratégia da defesa é convencer o júri de que as vítimas furaram a preferencial para atenuar ou extinguir a pena de Carli Filho.

“Para o laudo, o acidente foi causado pelo excesso de velocidade. Excesso de velocidade é dolo eventual ou imprudência de trânsito… A acusação parece desconhecer a legislação de trânsito. O homicídio ficou albergado em qual hipótese? Culposo!”

Neste caso, a pena máxima prevista é de quatro anos de prisão e pode ser revertida em serviços à comunidade. Se for condenado por duplo homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão. Mesmo se condenado em primeira instância, ele não sai do juri preso, já que pode recorrer da decisão.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.