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Curitiba registra de 6 a 8 casos de violência infantil por semana

O Colegiado de Conselheiros Tutelares de Curitiba esteve na na Câmara Municipal, na quinta-feira (8) e discutiu casos de..

Andreza Rossini - 09 de junho de 2017, 10:06

O Colegiado de Conselheiros Tutelares de Curitiba esteve na na Câmara Municipal, na quinta-feira (8) e discutiu casos de violência infantil na capital.

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Durante  o evento, o médico Gerson Zafalon afirmou que o trabalho com crianças e adolescentes que vivem situações de violência deve estar além dos mandatos e gestões, que são passageiros e ressaltou o número de casos satendidos no Hospital de Clínicas. “É um trabalho”, diz Zafalon, “que deve produzir efeitos para sempre”. De acordo com ele, só em maio foram encaminhadas 31 crianças do Hospital para o Dedica. “Só do HC. Em Curitiba a média tem sido 6 a 8 consultas por semana”. “Crianças devem respeitar os mais velhos, não obedecer”, concluiu.

Zafalon participa da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas do Paraná e do programa Dedica (Defesa da Criança e do Adolescente) é também vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioética.

Números no Paraná

A médica residente do Hospital, Rafaella de Souza Andri, apresentou na Câmara a tese de conclusão da residência sobre o tema violência infantil: “violência na infância e na adolescência: abordagem e a importância de notificar”.

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O trabalho teve como objetivo estabelecer o reconhecimento dos tipos de violência, a abordagem e a conduta diante de uma suspeita e a importância da notificação e do acompanhamento. Ela apontou que no entre 2010 e 2014, houve 297.826 casos de violência infantil notificados em todo o Brasil (dados do Datasus/Sinan). “É um número que assusta, porque são só os casos notificados”, disse ela que complementou: “no Paraná foram 28.504 casos, sendo que 60% dessas situações se verificaram em Curitiba (16.674 casos)”.

Ela também apresentou dados quanto às naturezas das violências registradas em Curitiba em 2015. 87% dos episódios se deram no âmbito familiar. Dentre essas violências, a que se verificou com mais contundência foi a negligência (67,2%), seguida pela violência psicológica (12%), física (11,2%), sexual (6,4%), trabalho infantil (3,3%) totalizando 5.029 casos naquele ano.

Andri destacou que existem basicamente 4 tipos genéricos de violência contra a criança (que muitas vezes acontecem de forma concomitante): violência física (uso da força de forma intencional com o objetivo de ferir); violência psicológica (humilhação, ameaças, depreciação, rejeição, indiferença e culpabilização); violência sexual (carícias, manipulação da genitália, pornografia, erotização precoce, fetichismo, voyeurismo, oral, e penetrações); e negligência (omissão crônica).

Outra questão trazida pela doutora Andri foi o tabu que existe diante do silêncio face à situação. “A notificação é obrigatória a todo profissional de educação, de saúde, a todo responsável que esteja diante de uma situação de violência. O artigo 245 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê punição para quem se omite. Quem não denuncia também violenta”, disse a médica.

Família

Sandra Dolores de Paula Lima da ONG Fênix acredita que se o alvo de atendimento é a criança, as famílias também devem ser atendidas. “Ajudamos os pais a serem pais”, disse ela, que também comentou sobre o trabalho da instituição com jovens portadores do vírus HIV. “O ano passado a Associação Fênix fechou com 3883 atendimentos e isso deve ser multiplicado por toda a família. Fênix se tornou referência por lidar com o suposto abusador também”.

Parlamentares

A iniciativa para a discussão foi do vereador Zezinho Sabará (PDT) e também teve a presença dos vereadores Marcos Vieira (PDT), Mauro Bobato (PTN) e Oscalino do Povo (PTN).