Centro Cívico pode receber vagas de EstaR

Andreza Rossini


Do Metro Curitiba

O vereador Goura (PDT) ressuscitou no início deste mês uma pauta polêmica em Curitiba: a cobrança do EstaR, o estacionamento regulamentado, em algumas ruas nos arredores dos prédios públicos do Centro Cívico.

O bairro tem vários pontos isentos, em especial na área que vai do prédio da Prefeitura até o Museu Oscar Niemeyer, passando pelo Palácio Iguaçu. Na última década só houve duas inclusões de EstaR no Centro Cívico, uma em 2007 (12 trechos de rua) e outra em 2014 (7 trechos). A prefeitura afirma que implanta novas áreas de EstaR pelas demandas de moradores e comerciantes, via central 156, quando a permanência de veículos parados o dia todo no mesmo local passa a ser um problema.

Nos oito trechos de rua em que Goura pede EstaR agora há muitas casas, mas também 17 negócios, incluindo pequenas lojas, consultórios médicos, uma pré-escola e alguns estacionamentos, entre outros. A motivação do vereador, porém, é mais ligada a uma política de desincentivo ao uso do automóvel individual. “A gente tem que melhorar a vida dos pedestres, do ciclista, e desestimular gradativamente o uso do carro”, diz Goura. “O valor pago pelo EstaR (R$ 2 por uma folha de uma hora) é muito inferior à tarifa de ônibus (R$ 4,25). Na cidade, isso vira um desestímulo ao uso do transporte coletivo”, avalia.

Entre os que trabalham na área, as opiniões variam entre extremos. Para os gerentes de um cursinho próximo à prefeitura, o EstaR seria “horrível”, porque hoje os alunos do local deixam o carro estacionado à vontade. Logo ao lado, porém, o dono de um estacionamento, Cláudio Fontoura, deseja a novidade que aumentaria sua clientela, mas diz que “já ouviu essa história várias vezes” nos últimos 20 anos.

Perguntado porque nunca ligou para o 156, Fontoura disse que não conhecia a possibilidade. “Bom saber”, agradeceu. Projetado inicialmente para apenas 22 ruas no Centro, em 1980, hoje o EstaR é aplicado em 15.881 vagas, das quais 11.740 são cobradas.

Nos últimos 10 anos, os bairros Bigorrilho, Batel e Água Verde foram os que mais viram a área regulada se expandir, segundo um levantamento do Metro Jornal. Embora a maioria esteja no anel central, há vagas com EstaR em uma faixa de 22 bairros, que vai do Ahú ao Portão, de norte a sul, e do Bacacheri ao Seminário, de leste a oeste.

Sobre o Centro Cívico, Goura garantiu que a prefeitura “sinalizou que tem a intenção” de atender ao pedido. A Setran (secretaria de Trânsito), no entanto, diz que já definiu onde haverá EstaR em 2017, e estuda a “viabilidade técnica” do pedido só para o ano que vem.

 

Previous ArticleNext Article