Estudantes mantêm ocupação da UTFPR

Mariana Ohde


Por Mariana Ohde e Narley Resende

As atividades da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) foram canceladas na manhã desta segunda-feira (21) por causa da ocupação dos estudantes, que começou na última sexta-feira (18). Segundo professores, cerca de cem pessoas estariam ainda no prédio.

Os alunos protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 – antiga PEC 241 -, que congela gastos primários da União pelos próximos 20 anos, e contra a Medida Provisória (MP) 746, da reforma do ensino médio.

Os estudantes da ocupação aguardam a chegada da Polícia Federal para negociar a desocupação. A assessoria da PF informou que uma equipe está no local para garantir a negociação pacífica, porém, os agentes não foram vistos. “Principal objetivo é conseguirmos desocupar a área pacificamente”, informou a PF.

No sábado (19), a Justiça determinou reintegração de posse, a pedido da reitoria da UTFPR, diante da ameaça de confrontos entre estudantes contrários e favoráveis ao protesto. Porém os estudantes não deixaram o local. Houve uma negociação com a universidade sem acordo e os estudantes decidiram manter a ocupação até que a reintegração seja efetivada.

Hoje, cerca de dez estudantes contrários à ocupação, em número menor do que no sábado, se reuniram em frente à instituição. Duas viaturas da Polícia Militar (PM) estão presentes para evitar confrontos.

Segundo Lucas Vidal, representante do movimento UFPR Livre, a intenção dos estudantes contrários é lutar pelo direito de estudar. “Sou da seguinte opinião: quem tem como lema ‘ocupar e resistir’ está pronto para qualquer coisa. Está pronto para resistir alunos, professores e até a Polícia Federal”, disse. “Está complicada a situação. Mas, se eles pretendem ocupar a resistir, nós também vamos resistir e lutar pelos nossos direitos”, afirma.

Membro do movimento de ocupação, o estudante de pós-graduação da UTFPR Luiz Fisher disse que a derrubada da PEC 55 é a condição central para desocupação. “O que nós estamos esperando para desocupar é o recuo desse governo autoritário que impõe medidas duras sem diálogo”, disse.

Já o grupo que ocupa a instituição afirma que não está conseguindo manter diálogo com os estudantes contrários. “Os discursos de ódio estão mais que presentes, são em muitos momentos a base do ‘diálogo’ deles. Pedimos a todas e todos que somem como resistência em nossa manifestação legítima”, disseram os integrantes do Ocupa UTFPR em publicação nas redes sociais.

Segundo Sandroney Fochesato, vice-reitor de administração e representante da comissão de negociação, a ideia principal é promover uma desocupação pacífica. “No sábado à noite e ontem, o dia todo, nós tentamos que houvesse uma desocupação do prédio, antes da reintegração propriamente dita”, explica, ressaltando a preocupação com a segurança de todos e em evitar conflitos.

Ainda não há informações sobre quando a reintegração deve ser feita. “A nossa maior preocupação hoje é que as pessoas não se machuquem. A universidade não compactua com nenhum tipo de violência”, disse, afirmando que há também preocupação com o patrimônio, mas, diante dos conflitos, a segurança de todos é prioridade.

Sandroney afirma ainda que a instituição não quer “em hipótese nenhuma” atos de perseguição ou discriminação contra os alunos envolvidos. Porém, possíveis sanções a eles ainda devem ser avaliadas pela área jurídica.

Com a movimentação, a UTFPR cancelou as aulas e demais atividades de hoje. Veja a nota divulgada pela UTFPR

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) decidiu adiar as atividades acadêmicas e administrativas desta segunda-feira (21) na Reitoria e sede Centro do Câmpus Curitiba, em virtude da ocupação de suas instalações físicas por um grupo de estudantes.

Após a comissão de negociação da gestão da UTFPR envidar todos os esforços para negociar a desocupação pacífica de sua sede Centro, a Justiça Federal acatou o pedido de reintegração de posse feito pela Procuradoria Federal no Estado do Paraná, que representa judicialmente a UTFPR. Tal pedido foi necessário em face do contínuo confronto no interior de suas instalações entre grupos a favor e contra a ocupação, com crescente risco aos estudantes e pessoas envolvidas no conflito.

Mesmo após o pedido de reintegração de posse ter sido acatado pela Justiça, a comissão de negociação da gestão da UTFPR manteve conversações com o grupo de ocupação no sentido de garantir um processo pacífico e ordeiro de retirada, buscando assegurar a integridade física das pessoas e do patrimônio público.

A Reitoria e a Direção do Câmpus Curitiba ressaltam seu posicionamento contrário a qualquer tipo de violência e discriminação e lamentam profundamente esta situação, esperando que as atividades em sua sede Centro retornem em breve à normalidade.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal