Pedido de perdão e revolta: família de Carli discute com Yared

Jordana Martinez


Fernando Garcel e Jordana Martinez

A deputada federal Christiane Yared, mãe de uma das vítimas mortas na colisão provocada pelo ex-deputado Carli Filho, não vai depor durante o julgamento devido ao abalo emocional. O pedido foi feito pela assistência da acusação e acatado pelo juiz Daniel de Avelar, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba.

Abalada com imagens do acidente, que ainda não tinha visto, Christiane Yared não conteve o choro. No intervalo, em entrevista aos jornalistas, desabafou:

“Não tem vencedor, não há vencedor (no julgamento)… o filho morto eu não trago de volta. Eu posso chorar, ver as imagens, ficar chocada de ver… eu não tinha visto essas imagens, mas eu sei que nós precisamos lutar pelos filhos vivos”, disse, explicando de onde tirar forças para lutar pela mudança da “cultura do trânsito brasileiro em que é considerado normal beber e dirigir”. “Esse juri vai ser um divisor de águas… A justiça não é para os mortos, é para os vivos”

Pedido de perdão e revolta

Durante o intervalo da audiência, uma tia do ex-deputado Carli Filho, que não se identificou, pediu a Yared que perdoe o sobrinho.

“Perdoe, vai falar com a mãe dele e o pai… Você promete? Ele não teve intenção de causar o acidente… não saiu de casa para matar… Seu filho morreu, mas foi um acidente… e se fosse seu filho?”, questionou a tia.

O pedido causou revolta. Yared argumentou que nunca recebeu o pedido de perdão, apesar do vídeo que foi publicado pelo réu nas redes sociais.

“Carli Filho não me pediu perdão. Ele não pediu perdão a mim, ele pediu perdão a uma rede social. Ele pediu perdão para tentar melhorar a imagem dele perante a sociedade. Perdão se pede olhando nos olhos, chorando e abraçando”, afirmou.

Relembre o caso

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.  Uma perícia contratada pela família de uma das vítimas afirma que as câmeras de segurança do local do acidente foram adulteradas.

Carli Filho foi eleito deputado em 2006, com 46 mil votos, quando tinha 23 anos de idade. Recebeu mais de 46 mil votos, cerca de 37 mil deles na cidade onde o pai era prefeito. Se for condenado por duplo homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão.

 

 

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.