Curitiba tem menor mortalidade materna de sua história

Narley Resende


A menos de dez dias para o fim do ano, Curitiba termina 2016 com o menor índice de mortalidade materna de sua história. Até hoje, dados preliminares da Secretaria Municipal da Saúde indicam que a cidade registrou apenas um caso. Diante de 21.114 nascidos vivos neste ano, o caso de morte materna representa taxa de 4,7 casos a cada 100 mil novas vidas.

O relatório de mortalidade materna deste ano deve ser finalizado até fevereiro de 2017. Além do caso já confirmado, um outro episódio está em investigação. Se confirmado, a taxa fica em torno de 10, mantendo-se abaixo do patamar estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

É a primeira vez que Curitiba cumpre a meta estabelecida pela OMS de manter a taxa inferior a 20.

Em comparação com outros anos, a taxa de 2016 é quatro vezes menor que o menor índice obtido desde o ano 2000 (23,9 em 2012). Já em relação ao maior índice (87,4 em 2004), a taxa atual é 17 vezes mais baixa – ou seja, 1.759% menor. Comparando com o total registrado em 2015 (32,6), a taxa de 2016 é 5,9 vezes inferior.

Programas

Para o secretário municipal da Saúde, César Monte Serrat Titton, o avanço deve-se às ações continuadas e ampliadas do Programa Mãe Curitibana / Rede Cegonha ao longo da gestão.

Entre as medidas tomadas nos últimos quatro anos estão o monitoramento e aprimoramento do fluxo de gestantes de alto risco na rede SUS, a inclusão de gineco-obstetras nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf), novas orientações técnicas voltadas a gestantes em situações específicas e ações voltadas a públicos específicos, como o atendimento de gestantes em situação de vulnerabilidade pelas equipes do Consultório na Rua.

“Em um cenário já saturado de ações, trabalhando dentro de um programa consolidado e reconhecido em todo o país, conseguimos manter o indicador sob controle, sem picos. Concluímos a gestão colocando pela primeira vez a taxa dentro do preconizado pela OMS”, afirma Titton.

A mortalidade materna é caracterizada pela morte da gestante ao longo da gravidez, no parto ou até 42 dias após o nascimento. Entre as principais causas desse tipo de óbito estão doenças hipertensivas, infecciosas e hemorrágicas.

“Adotamos mudanças no fluxo de exames para que todas as gestantes façam a primeira ecografia ainda no primeiro trimestre de gestação. Isso minimiza o erro de cálculo gestacional, casos de prematuridade e reduz a necessidade de cesáreas”, explica o coordenador do programa Mãe Curitibana / Rede Cegonha, Wagner Barbosa Dias.

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